Setor pesqueiro paraense teme perder competitividade após tarifas norte-americanas ameaçarem US$ 12 milhões em exportações.
Um dos motores da economia do Norte brasileiro, o pescado do Pará entrou no alvo da nova política tarifária dos Estados Unidos. A decisão, que já havia causado polêmica em torno do açaí, agora ameaça diretamente um setor que movimentou US$ 32,5 milhões em exportações apenas no primeiro semestre deste ano.
Segundo o Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), 36,94% das vendas externas de pescado têm como destino os EUA, totalizando quase US$ 12 milhões. O país é o segundo maior mercado paraense, atrás apenas de Hong Kong. Mesmo com crescimento de 8,17% nas exportações para os norte-americanos em relação a 2024, a aplicação de tarifas pode inverter essa tendência e comprometer parte expressiva da receita.
O Pará lidera o ranking nacional de exportações de pescado, com 21,33% do mercado externo brasileiro, à frente do Ceará (14,75%) e do Paraná (11,48%). Entre os principais produtos exportados estão “cabeças, caudas e bexigas natatórias de peixes” (US$ 14,1 milhões), “outros peixes congelados, exceto filés” (US$ 9,6 milhões) e o tradicional pargo congelado (US$ 4,9 milhões).
Apesar do bom desempenho recente, especialistas alertam para fragilidades estruturais e operacionais que deixam a indústria vulnerável a mudanças externas. Alex Carvalho, presidente da FIEPA, adverte: “Na ausência de uma intervenção eficaz, a ilegalidade tende a se proliferar enquanto a atividade formal, que gera emprego e renda, pode entrar em declínio.”
Já Apoliano do Nascimento, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Estado do Pará (Sinpesca), reforça a gravidade da situação: “As tarifas dos EUA representam um desafio extra para um setor já pressionado. Se perder competitividade, o Pará arrisca empregos e renda em uma região altamente dependente da pesca.”
O impacto das tarifas norte-americanas sobre o pescado do Pará ainda está em curso, mas a preocupação é imediata: perda de competitividade internacional, encarecimento do produto no mercado externo e ameaça à sobrevivência de uma das cadeias produtivas mais relevantes para a Amazônia. Sem apoio governamental e medidas de proteção, o risco é claro — o mar pode deixar de ser fonte de prosperidade para se tornar palco de crise.
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