Obras integram programa estadual de pavimentação urbana que prevê cobrir 500 quilômetros nos 144 municípios paraenses.
O Governo do Pará realizou, na manhã desta sexta-feira, 29 de maio, a entrega de nove ruas totalmente pavimentadas no Residencial Viver Primavera, localizado no bairro do Tapanã, na periferia de Belém. O ato público, que contou com a participação da governadora Hana Ghassan, marca a conclusão do primeiro conjunto de vias finalizadas na capital dentro da nova fase do programa “Asfalto Por Todo o Pará”. Coordenada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), a iniciativa recebeu frentes de trabalho em abril e associa o asfaltamento a intervenções estruturais de drenagem profunda e urbanização de vias.
A pavimentação de vias na periferia de Belém atende a gargalos históricos de saneamento básico e mobilidade que isolam comunidades vulneráveis da capital. O bairro do Tapanã concentra altos índices de adensamento populacional e historicamente sofre com a falta de escoamento adequado de águas pluviais. O projeto executado pela Seinfra prevê que as obras continuem avançando na região até que 89 vias do bairro recebam as intervenções completas de drenagem de águas, calçamento e pavimentação.
A ação integra um planejamento macro do poder executivo paraense iniciado em 2020. Desde o seu lançamento, o programa já implantou mais de 2 mil quilômetros de pavimentação asfáltica em diversas regiões de integração do Pará. O novo lote de investimentos atua com 40 frentes de trabalho simultâneas, mobilizadas com início imediato em Belém e cronograma de expansão que pretende atingir os 144 municípios do estado, totalizando mais de 500 quilômetros de novas vias urbanas estruturadas.
A pavimentação asfáltica e a instalação de sistemas de drenagem representam medidas de saúde pública e inclusão econômica para populações periféricas. A ausência crônica dessa infraestrutura impõe barreiras ao direito de ir e vir, impedindo a entrada de veículos de serviços essenciais, como ambulâncias, viaturas de segurança pública e caminhões de abastecimento de comércio local, além de expor os moradores a alagamentos recorrentes e doenças de veiculação hídrica.
Apesar da melhoria imediata na qualidade de vida dos moradores do Residencial Viver Primavera, o alcance total da medida encontra limites na complexa malha de canais não urbanizados que cortam a Região Metropolitana de Belém. Sem uma articulação integrada que envolva macrodrenagem e regularização fundiária ampla, o asfaltamento de trechos isolados corre o risco de sofrer deterioração precoce devido ao histórico de inundações sazonais e à falta de manutenção contínua pelas administrações municipais.
A governadora Hana Ghassan defendeu a escuta popular como critério para a descentralização dos investimentos estruturantes nas áreas periféricas. “É muito bom a gente ter lançado o programa ‘Asfalto Por Todo o Pará’ porque a gente sabe da importância do asfalto na vida da comunidade. A gente sabe as melhorias que o asfalto traz para a saúde, para a segurança, para a educação, portanto, uma ação concreta para trazer dignidade aos moradores. Aqui são nove ruas entregues, com drenagem, pavimentação, meio-fio… e é muito bom fazer isso junto com a comunidade, é importante esse processo de escuta, de estar perto da população, ouvindo as demandas, entregando obras e caminhando para a gente ver uma cidade inclusiva e mais próspera.”
O secretário de Infraestrutura e Logística, Adler Silveira, detalhou a meta geográfica de universalização do programa para conter os impactos climáticos sazonais sobre as populações locais. “São mais de 500 quilômetros que nós vamos fazer de asfalto pelos 144 municípios do Estado, ou seja, não vai ter uma região do Estado ou um município onde o asfalto não vai chegar, exatamente com o objetivo de fazer essa transformação, trazendo mais qualidade de vida, melhor mobilidade, tirando a população da lama no inverno, da poeira no verão, e fazendo com que nós tenhamos cada vez mais pessoas felizes com a chegada do asfalto nas suas residências.”
Os moradores do residencial relataram as dificuldades cotidianas enfrentadas antes da chegada do maquinário público. A dona de casa Rosa Januário relembrou o isolamento da comunidade. “Antes eu sentia que a gente estava esquecido, aqui tinha muita lama, muito buraco. Agora está muito bom. Eu caminho toda manhã, já estou gostando muito e agora a gente já pode andar sossegado.”
A copeira Raimunda Santos apontou os prejuízos à mobilidade comercial interna que afetavam o residencial. “Aqui a rua era bem ruim, não tinha pavimentação, melhorou muito agora. Eu fazia entregas só no carrinho porque o caminhão não entrava. Antes os carros ficavam atolados, mas agora ficou excelente, está 100%.”
O morador Odesson dos Santos, que reside há 18 anos no conjunto, relembrou os problemas de infraestrutura que impediam o uso do espaço público. “Isso aqui há 18 anos era muito feio. E hoje é um privilégio muito grande estar dessa forma aqui. Queremos agradecer a todos que fizeram acontecer essa obra. Já está todo asfaltadinho, é um privilégio, está bonito. Antigamente isso aqui tudo enchia de água. E as crianças não podiam nem estar brincando, jogando. Hoje está muito bom.”
As próximas etapas confirmadas pela Seinfra envolvem o deslocamento operacional das máquinas para as demais vias mapeadas no bairro do Tapanã, avançando em direção às 80 ruas remanescentes que compõem o plano local. Paralelamente, engenheiros e equipes técnicas darão início ao cronograma de expansão das 40 frentes de trabalho para o interior do estado, onde serão abertas as licitações para definir as construtoras responsáveis pela pavimentação nos demais municípios paraenses.
As equipes de sinalização viária finalizaram a pintura das faixas de pedestres e delimitações de tráfego nas nove ruas entregues do Residencial Viver Primavera. A durabilidade do novo asfalto e a eficiência das galerias de drenagem recém-instaladas passarão pelo primeiro teste prático com a chegada do próximo ciclo de chuvas intensas na Região Metropolitana de Belém, período em que os moradores poderão avaliar a contenção definitiva dos pontos históricos de alagamento.
Por Redação NotíciaAmazônica



