Unidades vinculadas à Sespa integram lista de cem melhores estabelecimentos do país após avaliação em 2.600 hospitais.
O Hospital Jean Bitar (HJB), localizado em Belém, e o Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), em Breves, foram homenageados nesta sexta-feira, 29 de maio, em Brasília (DF), por integrarem a lista dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil. A solenidade ocorreu no Auditório Carlyle Guerra de Macedo, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O reconhecimento baseia-se em um estudo divulgado em janeiro deste ano pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), que avaliou mais de 2,6 mil estabelecimentos que prestam atendimento exclusivo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A premiação nacional das unidades paraenses, geridas em parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) e organizações sociais, ocorre em um cenário de busca por parâmetros de eficiência no SUS regional. O levantamento estatístico do Ibross, realizado em parceria com a Opas, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e o Instituto Ética Saúde, aplicou critérios técnicos para medir a qualidade dos serviços em nível nacional.
Das mais de 2,6 mil instituições públicas de saúde auditadas em todo o país, o estado do Pará conseguiu posicionar múltiplos polos de atendimento no indicador final. Além do Hospital Jean Bitar e da unidade do Marajó, figuram no grupo das cem melhores estruturas o Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna (HRBA), em Santarém; o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci; o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol); e a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, além de uma unidade de gestão municipal.
O desempenho destacado de hospitais situados na Amazônia paraense evidencia a viabilidade de consolidação de linhas de alta complexidade em regiões com graves históricos de isolamento geográfico. O caso do Hospital Regional Público do Marajó ilustra essa dinâmica, visto que a estrutura atende a uma população dispersa por vias fluviais e dependente de serviços especializados que antes demandavam deslocamentos de dias até a capital. Os critérios fixados para a premiação mensuraram taxas de mortalidade, tempo médio de internação, segurança do paciente, disponibilidade de leitos de terapia intensiva e processos de acreditação hospitalar.
Contudo, a distribuição desses centros de excelência expõe as disparidades internas do estado, onde o acesso à medicina de ponta ainda se concentra em polos específicos, deixando vazios assistenciais em municípios menores e não integrados a essas redes de média e alta complexidade. Manter o padrão técnico avaliado pelo Ibross impõe o desafio orçamentário de garantir insumos e fixar profissionais especializados no interior paraense, mitigando a dependência crônica de transferências de pacientes rumo à Região Metropolitana de Belém.
O diretor executivo do Hospital Jean Bitar, Giovani Merenda, defendeu que o resultado valida as diretrizes de governança aplicadas no dia a dia da unidade de saúde. “Estar entre os 100 melhores hospitais públicos do SUS no Brasil comprova que trabalho sério, ética e compromisso com a vida fazem a diferença. Essa conquista é de toda a equipe do Hospital Jean Bitar, que diariamente fortalece o SUS com excelência, cuidado humano e dedicação. Nosso agradecimento a todos que fazem parte dessa trajetória.”
A diretora executiva do Hospital Regional Público do Marajó, Jusciely Machado, pontuou as exigências técnicas que fundamentaram a escolha das instituições de saúde. “Estar entre os 100 melhores hospitais públicos do SUS é motivo de orgulho para toda a instituição e demonstra que é possível oferecer uma assistência de qualidade, humanizada e eficiente. Essa conquista é resultado do trabalho coletivo de toda a equipe do hospital, que diariamente se dedica a entregar valor em saúde à população. [A premiação considera critérios rigorosos, como] qualidade assistencial, eficiência da gestão, segurança do paciente, transparência e satisfação dos usuários. Isso torna esse reconhecimento ainda mais significativo.”
O impacto prático do serviço na linha de cuidados crônicos foi relatado pelo mecânico Jefferson João Pinheiro, de 39 anos, que depende da estrutura de diálise do hospital marajoara há dois anos e oito meses. “Todos os profissionais são muito bons. Não tenho o que reclamar de nenhum deles e me sinto muito seguro no hospital.”
Na capital, a farmacêutica Carla Juliana, de 29 anos, descreveu a recuperação de funções metabólicas após passar pelo programa de cirurgia bariátrica do Hospital Jean Bitar, reduzindo seu peso de 128 quilos para 87 quilos. “Eu era hipertensa e pré-diabética. Hoje, minha vida mudou completamente.”
As próximas etapas confirmadas pelas diretorias das unidades envolvem o envio dos relatórios de avaliação técnica emitidos pelo Ibross e pela Opas para os conselhos gestores e comissões de controle de infecção hospitalar das respectivas instituições. Os dados serão utilizados para revisar as metas assistenciais e balizar as auditorias de manutenção dos certificados de acreditação vigentes.
As equipes de enfermagem e administração dos hospitais localizados em Belém e Breves retomam as rotinas de triagem e preenchimento de prontuários médicos nesta próxima semana sob novas exigências de manutenção dos índices de eficiência. Os relatórios de produtividade e os tempos médios de liberação de leitos de UTI serão encaminhados mensalmente à Sespa para verificar se as metas de segurança que embasaram o prêmio nacional continuam sendo cumpridas no atendimento cotidiano da população.
Por Redação NotíciaAmazônica



