Pesquisa revela que os SAFs geram renda e combatem as mudanças climáticas no Oeste do Pará. O segredo está nas frutas.
A Amazônia, muitas vezes vista como um campo de batalha para a preservação ambiental, está se revelando um laboratório de soluções para as mudanças climáticas. O segredo está na revolução silenciosa dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), que estão transformando a vida de agricultores familiares no Oeste do Pará. Uma tese de doutorado da pesquisadora Daniela Pauletto, da Ufopa, desvendou como esses sistemas, que combinam espécies florestais e agrícolas, não apenas sequestram carbono e promovem a sustentabilidade, mas também se tornam uma fonte de renda cada vez mais atrativa.
O estudo, que analisou 75 SAFs em sete municípios da região, revelou que a busca por lucro não compete com a segurança alimentar. Pelo contrário, ela a complementa. Segundo a pesquisa, o componente frutífero é o que mais atrai os agricultores. Espécies como o cumaru, que começa a produzir sementes em apenas dois anos e meio, se tornaram uma “mola propulsora” para os SAFs, gerando uma renda que permite o cultivo de espécies mais exigentes, como o cacau e o cupuaçu. O SAF, nesse contexto, não substitui o monocultivo tradicional, mas se integra a ele, diversificando a produção e garantindo uma renda extra.
A pesquisa também ressalta o papel fundamental dos quintais agroflorestais. Para a pesquisadora, eles são os verdadeiros “laboratórios” de experimentação, onde os agricultores testam novas espécies antes de expandir suas áreas de cultivo. Mais do que isso, os quintais são espaços de convívio, de encontro e de descanso, mostrando que a agricultura familiar não se resume ao trabalho, mas é também uma forma de vida. A diversidade de espécies medicinais e alimentares nos quintais é um reflexo do conhecimento ancestral dos agricultores, que se aliam à ciência para construir um futuro mais resiliente.
A tese de Daniela Pauletto reforça a ideia de que a preservação da Amazônia pode e deve andar de mãos dadas com a geração de renda. O estudo aponta um caminho para o desenvolvimento sustentável da região, mostrando que os sistemas agroflorestais são uma estratégia inteligente e eficaz para combater as mudanças climáticas, fortalecer a economia local e valorizar o conhecimento tradicional. A revolução dos SAFs, que se mostra resiliente e lucrativa, é a prova de que a natureza e o ser humano podem, de fato, prosperar juntos.
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