Roraima: Comunidade indígena Erem MutãKen decidiu se organizar e implementar seu próprio sistema de vigilância e monitoramento

Comunidade reclama que o tráfico de drogas, presença de garimpeiros e a circulação de bebidas alcoólicas tem sido constante ameaça à segurança de suas famílias

Na vasta extensão da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no município de Uiramutã, Roraima, a comunidade Erem MutãKen enfrenta uma dura realidade. Cansados da omissão do poder público, os indígenas decidiram agir por conta própria, criando uma barreira de acesso para controlar o fluxo de veículos que, além de itens básicos, transportam ilegalmente bebidas alcoólicas e materiais para garimpo. A situação de insegurança, que ameaça a saúde e a integridade social da comunidade, levou o Ministério Público Federal (MPF) a realizar uma visita in loco, na última sexta-feira (15), para buscar soluções.

A barreira de controle, inicialmente estabelecida com o apoio do MPF e da Polícia Militar, agora é mantida exclusivamente pelos próprios moradores. A ausência de fiscalização contínua das autoridades permite a entrada de cerca de 15 a 20 veículos por dia, muitos deles transportando álcool para comunidades vizinhas, inclusive do lado da Guiana. A comunidade Erem MutãKen alerta para as consequências devastadoras: desunião social, violência doméstica e a destruição de vínculos familiares. Diante do caos, os indígenas se veem forçados a defender seu território por conta própria, garantindo que o transporte para fins de saúde e educação não seja prejudicado.

O Procurador-Chefe Substituto do MPF, Alisson Marugal, reconheceu a gravidade da situação durante sua visita, afirmando que o acordo de fiscalização previamente firmado não está sendo cumprido. Ele destacou que a situação é complexa e exige uma abordagem cuidadosa, especialmente por se tratar de uma área indígena. O MPF pretende retomar as discussões com órgãos como Ibama, Polícia Federal e Receita Federal para encontrar soluções de longo prazo, como a possível criação de um posto fixo de fiscalização. No entanto, o procurador deixou claro que a solução não será imediata, o que aumenta a tensão na região.

Enquanto a burocracia segue seu ritmo lento, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol vive sob a ameaça do aumento dos conflitos. Lideranças locais denunciam a demora na atuação dos órgãos e alertam para a tensão crescente. A mensagem é clara: “Ou os órgãos resolvem, ou vão ter que mudar a rota. O que está claro é que a gente não vai parar de fiscalizar o nosso território”, conclui uma das lideranças. A luta da comunidade indígena pela segurança e pela soberania de suas terras é uma corrida contra o tempo, em que a paciência tem prazo de validade.

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