Forças Armadas encerram operação contra crimes transfronteiriços e ambientais no Rio Negro

Ação militar de 23 dias apreendeu armas, combateu caça ilegal e realizou atendimentos médicos em comunidades isoladas.

A Marinha do Brasil, operando por meio da Força Naval Componente sob o Comando Conjunto Harpia, concluiu as ações de fiscalização e assistência social da Operação Ágata Amazônia 2026 no Rio Negro e seus afluentes. Realizada entre 22 de abril e 15 de maio de 2026, a ofensiva militar integrada com o Exército e a Força Aérea inspecionou eixos fluviais estratégicos no estado do Amazonas para coibir ilícitos transfronteiriços e crimes ambientais. O balanço divulgado aponta a apreensão de armamentos, flagrantes de caça ilegal e a realização de mais de 800 atendimentos de saúde a populações ribeirinhas e indígenas.

A vulnerabilidade das fronteiras fluviais na Região Norte tem demandado incursões periódicas das Forças Armadas para suprir a escassez de postos fixos de controle em áreas isoladas. Na edição de 2026 da Operação Ágata, a Força Naval mobilizou uma estrutura composta pelo Navio-Patrulha Fluvial “Rondônia”, o Navio de Assistência Hospitalar “Carlos Chagas”, o Aviso Hidroceanográfico Fluvial “Rio Solimões”, a Barca-Oficina “Alecrim” e a Agência Escola Flutuante “Multirum”, além de helicópteros e lanchas de combate tático.

Os militares atuaram em coordenação com agências governamentais, o 3º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército e divisões da Polícia Militar do Amazonas, como o Batalhão de Policiamento Ambiental. Durante os 23 dias de patrulhamento, as equipes rastrearam canais de navegação e pontos suspeitos de funcionar como suporte logístico para o crime organizado, que utiliza a calha dos rios para o escoamento de produtos ilegais.

A recorrência de crimes ambientais na região ficou evidente nas proximidades do município de Barcelos (AM), onde a fiscalização interceptou uma embarcação que transportava armas de fogo, munições e animais silvestres de forma irregular. Os espécimes vivos foram reintroduzidos na natureza e o infrator foi encaminhado ao 75° Distrito Integrado de Polícia. Em uma comunidade ribeirinha da mesma área, os agentes localizaram uma pele de onça, confirmando a persistência da caça predatória voltada ao comércio ilegal de subprodutos da fauna silvestre.

Contudo, a atuação militar expõe as lacunas históricas do Estado na oferta de serviços básicos em territórios tradicionais. Em termos de saúde pública, o navio “Carlos Chagas” cobriu dois municípios e nove comunidades rurais, somando 520 consultas médicas, 308 procedimentos odontológicos, 145 exames laboratoriais e a distribuição de 17 mil medicamentos — uma demanda reprimida que evidencia a falta de postos de saúde permanentes no interior do Amazonas.

A infraestrutura energética e educacional também apresentou gargalos corrigidos temporariamente pela operação. No Rio Urubaxi, a tripulação do navio “Rondônia” precisou consertar o gerador de energia elétrica da comunidade indígena de Acariquara. O mau funcionamento do equipamento havia paralisado as aulas locais, prejudicando o calendário escolar das crianças entre os 189 moradores da localidade.

“A presença da Força Naval contribuiu diretamente para coibir atividades ilícitas e desestimular a ação de agentes criminosos. Além do aspecto operacional, essas ações representam um importante apoio às comunidades ribeirinhas e indígenas”, avaliou o Contra-Almirante Sérgio Tadeu Leão Rosário, comandante da Força Naval Componente.

Como parte das medidas de regularização do transporte aquaviário, a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental promoveu o projeto “Capitania Itinerante” em Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. A iniciativa formou 39 novos aquaviários no curso profissionalizante de Marinheiro Auxiliar Fluvial de Convés e Máquinas, habilitando moradores locais para o mercado de trabalho regional. Paralelamente, mais de 80 estudantes da Escola Estadual Padre João Badalotti, em Barcelos, receberam palestras sobre segurança e proteção de fronteiras.

Com a desmobilização do Comando Conjunto Harpia e o encerramento da janela intensiva da Operação Ágata, as embarcações militares retornaram às suas bases de origem em Manaus. A rotina de repressão aos crimes ambientais na bacia do Rio Negro passa novamente a depender da estrutura ordinária dos órgãos de comando locais e das delegacias do interior, que operam com restrições severas de efetivo para cobrir as extensas áreas territoriais da floresta.

Por Redação NotíciaAmazônica

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