Voo direto atrai turistas colombianos e expande fluxo internacional para a Amazônia

Entrada de visitantes da Colômbia cresce 37% após abertura de rota aérea direta entre Belém e Bogotá.

A entrada de turistas internacionais no Brasil registrou expansão nos primeiros meses do ano, somando mais de 2,6 milhões de visitantes estrangeiros apenas no primeiro bimestre. O fluxo de cidadãos colombianos apresentou o avanço mais expressivo do período, com um crescimento de 37% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. O incremento é impulsionado pela consolidação de novas conexões aéreas diretas direcionadas para a Região Norte, transformando a dinâmica de acessibilidade ao território amazônico para o mercado sul-americano.

Historicamente, o acesso de turistas de países vizinhos à Amazônia brasileira esbarrava na falta de conexões diretas, exigindo conexões longas e dispendiosas em hubs aeroportuários das regiões Sudeste e Centro-Oeste. A reestruturação da malha aérea alterou esse cenário por meio da implementação de voos diretos ligando Belém (PA) a Bogotá, capital da Colômbia.

A nova rota reduziu o tempo total de viagem para cerca de quatro horas. Essa reformulação logística reposicionou a capital paraense como um ponto de entrada estratégico na região, reduzindo custos de deslocamento e atraindo profissionais, pesquisadores e viajantes interessados na biodiversidade local que antes optavam por destinos concorrentes na própria Colômbia ou no Peru.

Os reflexos econômicos do aumento de fluxo impactam a cadeia de serviços locais, abrangendo desde a hotelaria até o transporte e o comércio comunitário de Belém. A maior visibilidade global da capital paraense decorre diretamente da projeção política obtida com a realização da Cúpula do Clima da ONU, a COP30, sediada no município no ano passado. O evento internacional funcionou como um indutor de investimentos em infraestrutura e vitrine de divulgação do bioma.

“A publicidade da COP30 no ano passado abriu uma janela muito grande para o turismo e para conhecer esta região do Amazonas. Há muitas pessoas que começaram a ver com outros olhos”, afirmou Cristian Mendoza, biólogo colombiano em visita a Belém, exemplificando como o debate climático global deslocou o interesse científico e recreativo para a porção brasileira da floresta.

No entanto, a pressão por maior infraestrutura aérea traz à tona desafios estruturais urbanos. O crescimento rápido da demanda internacional exige que a gestão pública e o setor privado local adaptem serviços de atendimento, bilinguismo e sustentabilidade urbana, sob o risco de inflacionar o custo de vida local e saturar equipamentos públicos sem que haja o devido retorno em distribuição de renda para as periferias da cidade.

O comportamento do mercado vizinho gerou novas frentes de planejamento para a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), que estuda o uso da malha colombiana para captar passageiros de divisas de maior peso financeiro.

“Esse aumento de turistas internacionais colombianos com interesse aqui no Brasil nos mostra que é um mercado em que a gente tem que promover o aumento de rotas aéreas, o aumento de frequências das rotas já existentes e também considerar a Colômbia como um hub, ou seja, um centro de distribuição de turistas de outros mercados importantes também, como os Estados Unidos”, explicou Fábio Montanheiro, gerente de inteligência de dados da Embratur.

Com base nos indicadores do primeiro bimestre, a Embratur e as companhias aéreas iniciaram rodadas de negociações técnicas para avaliar a viabilidade de ampliação nas frequências semanais do trecho Belém-Bogotá antes do início da alta temporada do segundo semestre. Os escritórios de turismo do Pará planejam feiras de negócios conjuntas na capital colombiana para consolidar o destino entre operadoras de viagem sul-americanas.

Por Redação NotíciaAmazônica

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