Entre 4 e 7 de junho, mais de 30 equipes levarão atendimento, capacitação e ações sociais a comunidades urbanas e ribeirinhas do Marajó.
Melgaço, no arquipélago do Marajó, segue entre os municípios com os menores indicadores sociais do país. Com Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,418, segundo dados do IBGE com base no Censo de 2010, a cidade convive com dificuldades históricas de acesso a renda, educação e serviços básicos, cenário ainda mais severo nas comunidades ribeirinhas isoladas pelos rios da região. É nesse contexto que a Assembleia de Deus em Belém prepara, entre os dias 4 e 7 de junho, mais uma etapa do Impacto Humanitário no Marajó, mobilização missionária que reúne mais de 30 equipes em ações sociais, educacionais e de assistência comunitária.

“De 04 a 07 de junho, estaremos em Melgaço, no Marajó, levando cuidado, dignidade e esperança a quem mais precisa. Um impacto humanitário que se expressa em serviço, presença e amor em ação”, destaca a organização da missão.
A iniciativa começou em 2022, motivada pela situação social enfrentada por famílias de Melgaço. Desde então, o projeto passou a concentrar ações permanentes voltadas à população local, incluindo atendimento médico e jurídico, capacitação profissional, atividades educacionais e apoio a crianças e adolescentes. Em 2023, foi implantada a Base da Missão Humanitária em Melgaço, estrutura que mantém atividades contínuas durante o ano.

Entre os principais projetos em funcionamento está a Escola de Música da Base Humanitária, inaugurada em 2025 e atualmente responsável pelo atendimento de 120 crianças, adolescentes e jovens. O projeto também contabiliza a entrega de sete casas para famílias em situação de vulnerabilidade social e a reforma de três templos utilizados como espaços de apoio comunitário.
A atuação da missão avança para além da assistência emergencial. A chamada Missão Educação, braço educacional do Impacto Humanitário, desenvolve cursos profissionalizantes, oficinas e palestras voltadas à geração de renda e capacitação. Oficinas de panificação, maquiagem, artesanato, corte e costura fazem parte das ações realizadas nos últimos cinco anos em municípios do arquipélago.

Em janeiro deste ano, uma ação promovida em Anajás distribuiu mais de 450 kits escolares e mochilas para crianças da rede local, em uma tentativa de reduzir obstáculos básicos ao início do ano letivo em áreas marcadas pela precariedade estrutural.
A edição de 2026 também prevê atividades voltadas à formação de professores. A neuroalfabetizadora Fran Drum, do Rio Grande do Sul, participará do projeto ministrando a palestra “NeuroAlfabetização na Prática” para educadores de Melgaço. A proposta é apresentar estratégias baseadas em neurociência aplicadas aos processos de alfabetização infantil.

Embora sustentadas por instituições religiosas, as ações assumem um papel que frequentemente extrapola o campo espiritual em municípios marcados pela ausência ou limitação de políticas públicas permanentes. No Marajó, onde comunidades inteiras dependem de deslocamentos fluviais para acessar serviços básicos, iniciativas comunitárias e missões humanitárias acabam ocupando espaços ligados à assistência social, educação complementar e acolhimento.
A nova edição do Impacto Humanitário no Marajó deve mobilizar atendimentos em comunidades urbanas e ribeirinhas da região ao longo dos quatro dias de programação. Em Melgaço, onde os indicadores sociais permanecem entre os mais baixos do Brasil, ações de cuidado básico e apoio comunitário seguem sendo parte da realidade cotidiana de centenas de famílias espalhadas pelos rios do arquipélago.



