Moradores relatam problemas ambientais e de saúde causados por depósito de resíduos próximo ao território e pedem contratações locais.
O prefeito de Macapá, Pedro DaLua, visitou a comunidade quilombola de Ilha Redonda neste sábado, 16, para receber uma pauta de reivindicações focada em infraestrutura e saúde coletiva. Localizado a cerca de 14 quilômetros do perímetro urbano da capital, o território tradicional sofre com a proximidade do aterro sanitário municipal, apontado pela população como vetor de contaminação e de doenças locais. Os moradores exigiram o cumprimento de contrapartidas socioambientais paralisadas e a priorização de profissionais da própria comunidade nos serviços públicos locais, abrindo um canal de negociação direta com o Executivo.
A comunidade quilombola de Ilha Redonda convive historicamente com o isolamento geográfico e a expansão da infraestrutura de descarte de resíduos de Macapá em direção às suas margens. O avanço do aterro sanitário na região gerou passivos ambientais que motivaram a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em administrações anteriores, cujas cláusulas de compensação e mitigação seguem sem plena execução. O impasse motivou a mobilização das lideranças locais, que aproveitaram a primeira agenda oficial do Executivo na localidade em quase seis anos para expor a falta de saneamento, iluminação, limpeza e o atraso no acesso à educação infantil.
A proximidade de depósitos de resíduos sólidos de territórios tradicionais evidencia as assimetrias do planejamento urbano e do racismo ambiental, onde populações historicamente vulnerabilizadas arcam com os impactos sanitários da atividade da capital. Para os quilombolas de Ilha Redonda, a ausência de infraestrutura básica é agravada pelos riscos de contaminação do solo e da água, o que sobrecarrega a demanda por atendimento médico em uma região já desprovida de equipes de saúde fixas.
A reivindicação por reserva de vagas para trabalhadores locais na Unidade Básica de Saúde (UBS) e nas frentes de manutenção reflete o desejo de autonomia econômica e de representatividade na prestação dos serviços públicos, assegurando que o orçamento municipal também circule dentro da própria comunidade.
As lideranças do território sinalizaram que a ausência de diálogo com o poder central vinha aprofundando o abandono das políticas públicas na área rural. A presidente da Associação de Moradores da Ilha Redonda, Mônica Oliveira, que lidera a organização comunitária há quase seis anos, expôs a falta de assistência anterior: “Sou presidente há quase seis anos e nunca havia recebido um gestor municipal aqui na comunidade. Não existia esse olhar com compromisso e sensibilidade”, afirmou a liderança quilombola.
Em resposta às queixas sobre o passivo socioambiental do lixão, o prefeito Pedro DaLua comprometeu-se a auditar os compromissos jurídicos firmados com o município: “Quero garantir a questão do TAC, porque, se a gestão passada não cumpriu, eu irei cumprir, e isso vai favorecer a comunidade de Ilha Redonda”, declarou o gestor.
O prefeito também afirmou que pretende descentralizar as decisões sobre a administração dos aparelhos públicos situados no território tradicional: “Enquanto eu estiver prefeito, quem vai mandar nos espaços da comunidade é a própria comunidade”, concluiu DaLua.
A Prefeitura de Macapá incluiu a Ilha Redonda no cronograma emergencial do mutirão de serviços “Prefeitura Presente, Cuidando de Todos” para os próximos dias, com previsão de reparos na iluminação pública e remoção de entulhos. No âmbito jurídico e ambiental, a assessoria técnica do município deverá avaliar a situação de regularidade do aterro sanitário e levantar as pendências financeiras e estruturais do TAC citado pelos moradores para planejar as compensações devidas.
Por Redação NotíciaAmazônica



