Em reunião na Associação Comercial do Amazonas, setores produtivos e trabalhadores informais expuseram gargalos econômicos do centro histórico.
O prefeito de Manaus, Renato Junior, anunciou nesta terça-feira, 12 de maio, a criação de uma pasta voltada à Indústria e Comércio para tentar acelerar a abertura de empresas e mediar a expansão fabril local. A medida foi comunicada durante reunião com lideranças empresariais e representantes do comércio informal na sede da Associação Comercial do Amazonas (ACA). No encontro, o setor produtivo cobrou ações imediatas contra a insegurança no centro histórico e a desburocratização de licenças municipais, evidenciando as barreiras operacionais que travam a atividade comercial e o trabalho autônomo na capital.
A agenda na ACA ocorre no momento em que a nova administração municipal atinge menos de dois meses de governo, herdando demandas crônicas de infraestrutura e ordenamento urbano. O centro histórico de Manaus, principal polo do comércio de rua e tradicional ponto de atuação dos trabalhadores informais, vem sofrendo com o esvaziamento econômico e a falta de policiamento, problemas amplificados pela lentidão na emissão de alvarás e licenças pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). O debate reuniu as principais frentes patronais do estado, incluindo a Fieam (indústria) e a Fecomércio-AM (bens e serviços), na tentativa de destravar canais institucionais que balizam a economia local há mais de 150 anos.
A reestruturação administrativa com uma nova pasta tenta responder à necessidade de simplificar processos que afetam desde o microempreendedor até as grandes plantas da Zona Franca de Manaus. Sob a ótica do desenvolvimento urbano, a desburocratização e a segurança no centro da cidade geram impactos diretos na população que depende do mercado informal e do setor de serviços para subsistência.
No entanto, a criação de mais uma estrutura burocrática — seja secretaria ou subsecretaria — acende alertas sobre o aumento de gastos públicos em um cenário que exige, prioritariamente, soluções práticas na ponta. O equilíbrio entre o fomento à grande indústria e a proteção social aos camelôs e pequenos comerciantes do centro continua sendo o nó central para que o crescimento econômico se traduza em distribuição de renda e emprego formal.
As demandas apresentadas convergiram para o papel do serviço público na desoneração das atividades produtivas. O prefeito Renato Junior defendeu que as mudanças no ambiente de negócios devem considerar a realidade de quem opera na ponta: “Mais do que executar, o papel fundamental do serviço público é ouvir. Estamos aqui com aqueles que geram emprego e renda. O comércio tem uma importância vital para o nosso Estado e, especialmente, para Manaus, pois movimenta uma economia forte e diversificada”, afirmou o chefe do Executivo municipal.
A rapidez na abertura do canal de diálogo foi elogiada pelo presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, que apontou a necessidade de alinhamento entre as políticas públicas e o setor privado: “É uma satisfação receber o prefeito Renato Junior, que em pouco tempo de gestão já se coloca à disposição para ouvir o setor produtivo. Nosso papel é discutir como tornar o ambiente de negócios melhor para empreender e viver, e a vinda do prefeito é essencial para alinharmos essas expectativas”, pontuou Pinheiro.
Para dar andamento às propostas, secretários de pastas finalísticas como Semacc (comércio informal e centro), Seminf (infraestrutura) e Semulsp (limpeza urbana) foram acionados para mapear os pontos críticos do centro histórico já nas próximas semanas. O formato jurídico da nova pasta de Indústria e Comércio e o orçamento destinado ao órgão deverão ser desenhados pela Secretaria Municipal de Administração e Gestão (Semad) antes de o projeto ser enviado para votação na Câmara Municipal.
Por Redação NotíciaAmazônica



