Unidade Dr. Oswaldo Coelho distribui mil pratos diários por dois reais e atrai trabalhadores informais e idosos das periferias.
O Restaurante Popular Dr. Oswaldo Coelho, inaugurado pela Prefeitura de Belém em 9 de abril, completou seu primeiro mês de funcionamento com a marca de 30 mil refeições servidas. A unidade distribui uma média de mil pratos diários de comida a R$ 2,00 cada, sob a coordenação nutricional da Fundação Papa João Paulo XXIII (Funpapa). O equipamento público atrai moradores de bairros distantes e trabalhadores do mercado informal da capital paraense, consolidando-se como uma ferramenta de proteção social voltada ao combate à insegurança alimentar urbana em um cenário de carestia e vulnerabilidade econômica.
A reinauguração e estruturação do restaurante popular ocorrem em um momento de recomposição das redes de assistência social na região metropolitana de Belém. O município vinha sofrendo com lacunas na oferta de refeições subsidiadas após o fechamento ou precarização de estruturas anteriores. A nova unidade foi batizada em homenagem ao médico Oswaldo Coelho e passou a funcionar com cardápios formulados por nutricionistas e equipe de cozinha profissional comandada pelo chefe Carlos Freitas. O funcionamento regular tenta responder à demanda reprimida por alimentação subsidiada no centro urbano, atraindo inclusive idosos sozinhos e pessoas sem rede de apoio domiciliar.
O valor de R$ 2,00 por refeição funciona como uma política de transferência de renda indireta para grupos socialmente fragilizados. Para idosos e trabalhadores da economia informal, que operam sem direitos trabalhistas garantidos, o custo da alimentação nos grandes centros urbanos compromete uma parcela expressiva do orçamento mensal. A localização do restaurante e o preço praticado impactam diretamente a segurança nutricional de quem antes omitia refeições por falta de recursos. Contudo, a necessidade de deslocamento de usuários que moram em bairros periféricos evidência os desafios de capilaridade desse modelo de assistência, que exige que cidadãos de áreas distantes atravessem a cidade para acessar o direito básico à alimentação.
Os usuários do espaço relatam melhorias no orçamento doméstico e na qualidade da alimentação diária. O aposentado Afonso Soares de Oliveira, de 84 anos, morador do bairro de Águas Lindas, viaja diariamente para almoçar no centro e pontua o aspecto econômico: “Eu moro sozinho e não sei cozinhar. Sem contar que o custo-benefício compensa, a comida é muito barata. Lá no bairro não tem lugar nenhum que venda almoço por R$ 2, e esse restaurante é bem melhor que o antigo”, afirma Oliveira.
A trabalhadora informal Nathália Gomes, que comercializa bebidas nas proximidades, destaca como o preço médio do comércio tradicional inviabilizava seu acesso ao almoço: “Eu vendo água, refrigerante, água de coco. E por aqui o almoço é por volta de R$ 15, nem sempre eu tenho esse valor para pagar, por isso muitas vezes ficava sem almoçar. Agora tudo mudou, almoço todos os dias no restaurante popular”, relata a vendedora.
A perspectiva institucional foi detalhada pela presidente da Funpapa, Edna Gomes, que reforçou o papel do equipamento público na inclusão: “Cada refeição entregue representa uma política pública que combate a fome de forma direta, fortalece a segurança alimentar e reafirma o compromisso da gestão com a inclusão social. Continuamos trabalhando no propósito de ampliar o acesso à alimentação”, declarou.
A equipe técnica da cozinha informou que a estrutura logística estabilizou o fornecimento no patamar de mil refeições diárias planejadas para esta primeira fase. O chefe de cozinha Carlos Freitas avaliou que o fluxo de insumos e o atendimento às filas operam dentro da capacidade projetada para o local. A Funpapa e a administração municipal mantêm o cronograma de funcionamento da unidade Dr. Oswaldo Coelho, sem indicativos imediatos de expansão de novas cotas de pratos ou de abertura de novos pontos descentralizados nas periferias de Belém no curto prazo.
Por Redação NotíciaAmazônica



