Focos de queimadas recuam 79% em Porto Velho nos primeiros cinco meses do ano

Dados do Inpe apontam queda nos registros entre janeiro e maio, mas influência climática mantém órgãos ambientais em alerta contra nova estiagem.

Porto Velho registrou uma redução de 79,2% nos focos de queimadas e incêndios entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento, divulgado pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que o município contabilizou 22 ocorrências nos primeiros cinco meses deste ano, contra 106 anotadas em 2025. Apesar do recuo estatístico no início do ano, órgãos de monitoramento alertam para o risco de repetição de crises severas de poluição atmosférica devido à proximidade do período mais crítico de estiagem na região amazônica.

O histórico recente da capital rondoniense é marcado pelo impacto severo de anomalias climáticas e da ação humana sobre a cobertura vegetal. Em 2024, a combinação do fenômeno El Niño com uma seca histórica resultou em uma crise ambiental que cobriu a área urbana de fumaça, com reflexos diretos na saúde pública e na economia local.

 

De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), as condições extremas daquele ano paralisaram temporariamente a navegação comercial no rio Madeira e provocaram um surto de doenças respiratórias na população. O balanço do Inpe mostra que as ações de controle surtiram efeito posterior, consolidando uma queda de 60% na poluição atmosférica de Porto Velho no consolidado entre 2024 e 2025, patamar que agora tenta ser preservado.

A oscilação dos índices de queimadas afeta diretamente a organização dos serviços de saúde e a infraestrutura das comunidades periféricas e rurais. Em áreas de expansão urbana e terrenos baldios da capital, a prática de queima de resíduos e a limpeza irregular de lotes funcionam como vetores de incêndios que ameaçam fragmentos de floresta e áreas de preservação ambiental.

Embora o recuo de 106 para 22 focos represente um alívio temporário para os indicadores de qualidade do ar, a projeção climática para os próximos meses impõe limites ao otimismo. Sob uma perspectiva socioambiental, a vulnerabilidade das populações ribeirinhas e da periferia urbana aos efeitos da fumaça exige que os mecanismos de fiscalização atuem de forma estrutural, superando a dependência de flutuações sazonais do clima para garantir o direito à saúde coletiva.

Para tentar conter o repique dos focos com a chegada do chamado “inverno amazônico” — período de menor incidência de chuvas —, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) iniciou um pacote de medidas operacionais em maio. As frentes de trabalho envolvem desde a abertura de aceiros em vias públicas para conter chamas rasteiras até a criação de um comitê de monitoramento em tempo real conectado à Superintendência Estadual de Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic) e ao Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop).

O secretário da Sema, Arthur Borin, defendeu que o controle depende de uma articulação com os moradores: “Denunciar queimadas ilegais e adotar medidas preventivas são atitudes fundamentais para proteger Porto Velho durante o inverno amazônico. Neste período, planejamento, responsabilidade ambiental e ação conjunta entre poder público e comunidade serão decisivos para minimizar os impactos da seca”, afirmou Borin.

A atual gestão vincula o esforço técnico à prevenção de colapsos sanitários semelhantes aos de anos anteriores. O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, comentou a descentralização dos trabalhos: “Estamos atuando de forma integrada, com fiscalização, monitoramento e conscientização da população para reduzir os focos de queimadas e proteger a saúde da nossa população. Cuidar do meio ambiente também é cuidar das pessoas”, disse o chefe do Executivo.

As próximas etapas do plano de contingência municipal preveem o início das atividades de uma organização privada especializada em combate a incêndios, contratada para reforçar o trabalho das brigadas públicas. A fiscalização em terrenos baldios e comunidades rurais da periferia será intensificada para coibir o descarte inadequado de entulhos. O município mantém abertos canais de denúncia para a população relatar infrações ambientalmente nocivas por meio do telefone (69) 98423-4092 ou na sede do Centro da cidade.

Os dados do Inpe estabelecem um patamar mínimo histórico para os primeiros cinco meses do ano em Porto Velho, mas o avanço do período de estiagem testará a eficácia prática das novas ferramentas de telegestão e monitoramento. O desafio do município reside em manter os 22 focos sob controle diante das projeções de elevação de temperatura e baixa umidade previstas para o segundo semestre de 2026.

Por Redação NotíciaAmazônica

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