Sistema financiado pelo governo alemão beneficia 45 famílias e impulsiona o turismo de base comunitária no Rio Negro.
A Comunidade Indígena Três Unidos, situada na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro, no Amazonas, concluiu a instalação de uma usina de energia solar fotovoltaica. Financiado pelo Ministério Federal do Meio Ambiente da Alemanha, o projeto foi viabilizado por meio da Iniciativa Internacional de Clima (IKI) e da agência de cooperação alemã GIZ. A execução da obra coube à Fundação Amazônia Sustentável (FAS), sob a gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). A substituição da matriz fóssil pela renovável atende à demanda histórica por autonomia energética em áreas isoladas da floresta.
O acesso à energia estável no interior da Amazônia historicamente depende da queima de combustíveis fósseis, transportados por vias fluviais a custos elevados e sob riscos constantes de acidentes ecológicos. Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, o isolamento geográfico de comunidades tradicionais impõe barreiras ao desenvolvimento de serviços básicos essenciais.
A introdução da tecnologia solar surge como alternativa técnica para mitigar a dependência regional de geradores a combustão. A operação da nova estrutura é coordenada localmente e integra ações de descentralização energética na região amazônica, onde a falta de redes de transmissão tradicionais marginaliza pequenas populações locais do acesso a direitos fundamentais.
Além dos indicadores ambientais, o fornecimento contínuo de eletricidade redefine o arranjo produtivo das 45 famílias residentes em Três Unidos. A comunidade tem no turismo de base comunitária sua principal atividade econômica e de subsistência. Conforme informações técnicas da FAS, a estabilidade na rede de energia permite a conservação adequada de alimentos e qualifica o atendimento em restaurantes e pousadas geridos pelos próprios indígenas. A melhoria na infraestrutura local garante condições técnicas para a recepção de visitantes e regulariza serviços de internet e comunicação, ampliando as janelas de renda das famílias ribeirinhas.
A próxima etapa do projeto prevê o monitoramento técnico da oscilação de carga do sistema solar durante o período de chuvas e o treinamento de lideranças locais para a manutenção preventiva das placas e das baterias de armazenamento. O modelo de governança estabelecido pela Sema e pela FAS determina que a própria comunidade gerencie o fundo de reserva gerado pela economia com o diesel. Esse capital poupado deve custear futuras expansões da rede interna e a manutenção dos equipamentos biotecnológicos instalados.
Por Redação NotíciaAmazônica



