Pará: Indígenas Tembé Tenetehara devem receber R$ 1,8 milhão para manejo de açaizal

Crédito rural do Pronaf A apoiará produção nas aldeias Frasqueira e São Pedro, em iniciativa inédita articulada pela Emater.

Trinta e nove indígenas Tembé Tenetehara da Terra Alto Rio Guamá, em Santa Luzia do Pará, estão próximos de acessar R$ 1,8 milhão em crédito rural para fortalecer o manejo de açaizais na várzea do Rio Guamá. O recurso, previsto para o primeiro semestre de 2026, é resultado de projetos elaborados pelo escritório local da Emater Pará.

O financiamento, dentro da linha Pronaf A, será destinado ao manejo de açaizal de uso múltiplo nas aldeias Frasqueira e São Pedro. Nas tradições Tembé Tenetehara, o aproveitamento do fruto é integral: caroço, palha e palmito alimentam atividades que vão da alimentação ao artesanato. A proposta busca ampliar essa cadeia, garantindo sustentabilidade econômica e respeito ao modo de vida da comunidade.

O processo com o Banco do Brasil começou no dia 2 deste mês, durante a Semana Paraense da Extensão Rural, programação promovida pela Emater em comemoração aos seus 60 anos e ao Dia Nacional do Extensionista Rural, celebrado em 6 de dezembro. A agenda marca a presença mais ativa da assistência técnica no interior, especialmente em territórios indígenas.

Para o supervisor regional da Emater em Capanema, o engenheiro florestal Alan Péricles Amaral, a iniciativa representa um marco institucional. “Este é um momento que merece celebração, porque é uma iniciativa inédita desta magnitude de Pronaf A para indígenas no Pará. Na prática, a Emater atua pelo fortalecimento da cultura indígena, e isso representa diversificação da produção nos territórios, empoderamento da identidade e autonomia dos povos”, afirma.

Além do aporte financeiro, a expectativa é que o projeto impulsione maior autonomia produtiva entre os Tembé Tenetehara e fortaleça a presença de políticas públicas orientadas ao desenvolvimento sustentável na região. O crédito rural para manejo de açaizal — eixo central desta iniciativa — reforça uma tendência crescente de inclusão de comunidades tradicionais em programas estruturantes da agricultura familiar.

Ao longo de 2026, a execução dos projetos deve indicar até que ponto a combinação entre financiamento público e práticas tradicionais pode ampliar renda, consolidar cadeias produtivas e garantir que povos originários tenham protagonismo na gestão de seus territórios — objetivo reiterado nas ações mais recentes da Emater.

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