Novo Repartimento: Governo do Pará aprova recursos para escola-indústria do chocolate

Projeto apoiado por mulheres do assentamento Tuerê impulsiona a cadeia do cacau e fortalece agricultura familiar na Transamazônica.

A criação de uma escola-indústria do chocolate em Novo Repartimento recebeu aprovação unânime dos conselheiros do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau) durante reunião extraordinária realizada nesta quinta-feira (4), na sede da Sedap, em Belém. A iniciativa é vista como um passo estratégico para qualificar a produção local de cacau, fortalecer a agricultura familiar e ampliar a participação das mulheres na cadeia produtiva.

A deliberação ocorreu com a presença das produtoras do assentamento Tuerê, Lucileide Santana e Ana Paula Carneiro, integrantes da Associação As Mulheres que Florescem na Cacauicultura. Reconhecida na região da Transamazônica pela qualidade do cacau produzido, a associação celebrou a decisão como um marco para a comunidade. “Será uma grande vitória para a região e, principalmente, para as mulheres. A partir dessa fábrica, poderemos ensinar nossos jovens a trabalhar e gerar renda dentro da roça”, afirmou Lucileide.

A proposta da escola-indústria prevê não apenas a transformação do cacau em chocolate, mas a verticalização da cadeia produtiva, criando oportunidades de qualificação técnica e geração de renda. O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, destacou o impacto econômico da iniciativa. “Chegamos ao chocolate já no nível de nibs, manteiga e outros derivados. A importância disso é beneficiar, sobretudo, o agricultor familiar”, disse.

O projeto tem apoio direto da Faepa/Senar, que disponibilizará todos os equipamentos para a produção e oferecerá capacitação profissional para a formação de chocolatiers. Segundo a conselheira Gorete Gomes, a instalação inicial funcionará na sede do município, com estrutura completa apresentada durante a reunião.

As produtoras anteciparam que a expansão já está no horizonte. Um terreno no assentamento Tuerê foi destinado à prefeitura para a futura construção de uma segunda escola técnica, mais próxima das áreas de produção. O avanço da escola-indústria só foi possível graças à articulação entre Sedap, Faepa, prefeitura municipal, Câmara Setorial do Cacau e apoio da Justiça agrária, representada pela promotora Alexssandra Muniz Mardegan. As lideranças reconhecem que o alinhamento institucional é decisivo para que o projeto avance com segurança e alcance social.

Durante a reunião, a engenheira agrônoma Márcia Tagore, coordenadora estadual de Indicações Geográficas, detalhou a programação do III Sigema, que contará com especialistas do Brasil e da Pan-Amazônia e apoio da Fundação Vale, Instituto Tecnológico Vale e Fundo Vale. “Será uma programação importante para discutir a valorização de produtos com Indicações Geográficas e Marcas Coletivas”, afirmou o gestor da Sedap, que reforçou o convite ao público.

Com a aprovação dos recursos, a escola-indústria do chocolate se torna um símbolo de inovação rural e de fortalecimento da economia local, especialmente para as comunidades de cacauicultores da região — um movimento que promete reposicionar Novo Repartimento no mapa da produção de cacau do Pará.

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