Insônia atinge 72% dos brasileiros: como reconquistar o sono perdido?

Quase metade dos paulistanos sofre para dormir, revelam estudos. Especialistas explicam como hábitos simples podem virar a chave para noites reparadoras.

Era 2h37 quando Carla olhou para o celular pela quinta vez. Na tela, notícias sobre crise econômica, mensagens não respondidas e a luz azul que, ela sabia, só piorava sua insônia. Sua história não é única: 45% dos paulistanos travam a mesma batalha noturna, segundo o Instituto do Sono. Enquanto isso, a Fiocruz alerta que 72% dos brasileiros enfrentam distúrbios do sono — e a insônia inicial, aquela que demora a chegar, é a mais cruel.

O problema vai além do cansaço. Sono fragmentado eleva riscos de obesidade, depressão e doenças cardiovasculares, como aponta a Academia Brasileira de Neurologia. Mas por que, em uma era de avanços tecnológicos, dormir virou um luxo inacessível? A resposta está na colisão entre biologia e hábitos modernos.

Nosso cérebro opera sob um ritmo circadiano, um “relógio interno” sincronizado pela luz solar. Mas, como explica Tatiana Vidigal, do Sírio-Libanês, telas, cafés tardios e horários irregulares sabotam esse mecanismo. “Dormir até mais tarde no fim de semana é como viajar para outro fuso horário e voltar na segunda”, compara.

O resultado? Uma geração “viciada em vigília”, como define a biomédica Mônica Andersen. Redes sociais, com seu ciclo de recompensas instantâneas, mantêm o cérebro em alerta. E o álcool, muitas vezes usado como sonífero, fragmenta o sono profundo, piorando a qualidade.

Os 4 Pilares Para Reconquistar o Sono (Sem Remédios)

  • Ritual do Desligamento: 1h antes de dormir, troque a luz branca por abajures e substitua o Netflix por música ou leitura.
  • Técnicas de Relaxamento: Respiração 4-7-8 (inspire em 4 segundos, segure por 7, expire em 8) reduz a ansiedade em 60%, segundo Harvard.
  • Toque de Recolher Digital: Celulares no modo “noturno” não bastam. O ideal? Nenhuma tela 90 minutos antes de dormir.
  • Jantar Leve e Sem Cafeína: Chás de camomila são aliados, mas evite até o café escondido no chocolate após as 16h.

Enquanto a indústria vende pílulas e apps milagrosos, médicos defendem uma mudança cultural: “Dormir bem é um ato de resistência numa sociedade que glorifica o cansaço”, diz Geraldo Lorenzi Filho, do InCor.

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