Setor agrícola americano pressiona governo por negociações após tarifas de Trump, temendo perda de mercado para o Brasil e alta nos custos de produção.
O agronegócio dos EUA soou o alarme: as tarifas impostas por Donald Trump a produtos estrangeiros podem desencadear uma crise no campo americano. Líderes do setor alertam que retaliações — principalmente da China, maior compradora de soja do mundo — podem abrir espaço para o Brasil dominar mercados estratégicos. Em Chicago, os contratos futuros da commodity já caíram, refletindo o temor de que os produtores dos EUA sejam os primeiros prejudicados.
“Quem pagará por essas tarifas serão os fazendeiros americanos”, disparou Zippy Duvall, presidente da American Farm Bureau Federation. Com 20% da renda agrícola vinda das exportações, o setor teme um efeito cascata: fertilizantes mais caros, produtos dos EUA menos competitivos e perda de mercados para o Brasil. A China, que aumentou em 84% as compras de soja americana no início de 2025, já sinalizou retaliações de 34% — um golpe direto ao coração do Corn Belt.
No Congresso, republicanos correm para evitar uma revolta no eleitorado rural. Reuniões emergenciais discutiram subsídios de compensação, mas especialistas avisam: ajuda financeira não resolve a perda de mercados globais. “Guerras comerciais ‘olho por olho’ são um luxo que a agricultura dos EUA não pode bancar”, afirmou Caleb Ragland, da Associação de Soja dos EUA, que cobra negociações imediatas para evitar que o Brasil ocupe o espaço americano na China.
Apesar do pânico, o governo Trump insiste que as tarifas são necessárias para “nivelar o jogo” comercial. Mas números não mentem: se a China substituir a soja dos EUA pela brasileira, produtores do Midwest podem enfrentar prejuízos bilionários. E o custo político será alto — estados agrícolas como Iowa e Kansas são redutos republicanos que já pressionam por uma saída diplomática.
Enquanto Washington e Pequim travam sua batalha, o Brasil se prepara para colher os frutos. Para os EUA, a conta chegará em dobro: no bolso dos agricultores e nas urnas em 2026. A pergunta que resta é: Trump vai ceder antes que o campo americano vire refém de sua própria guerra comercial?
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