Exportações crescem 35% em março e diversificação de destinos reduz dependência histórica do mercado peruano.
As exportações do Acre atingiram US$ 11,42 milhões em março de 2026, consolidando um crescimento de 35,6% na comparação com o mês anterior. Os dados constam no Boletim de Comércio Exterior, divulgado pela Secretaria de Planejamento (Seplan). No acumulado do primeiro trimestre, o faturamento das vendas externas somou US$ 28,94 milhões, desempenho 9,8% superior ao de igual período em 2025. O avanço nas vendas do agronegócio e do extrativismo garantiu ao estado um superávit comercial de US$ 27,96 milhões entre janeiro e março, embora a forte concentração em commodities de baixo valor agregado mantenha o debate sobre a necessidade de industrialização local.
A pauta de exportações acreana continua fortemente concentrada em um número restrito de produtos primários. Durante o primeiro trimestre de 2026, três itens responderam pela maior parte da receita do comércio exterior: a carne bovina liderou com 34,0% das vendas acumuladas, seguida pela castanha, com 28,6%, e pela soja, que respondeu por 14,0%.
A forte presença da castanha na composição do superávit evidencia a importância socioeconômica do extrativismo florestal para as populações tradicionais e assentamentos da região. Esse modelo garante a conservação ambiental e gera emprego direto na floresta, contrapondo-se ao avanço das pastagens e dos monocultivos de grãos, que exigem grandes extensões de terra.
Um dos principais fatores de tensão nas análises de comércio exterior do Acre vinha sendo a dependência crônica do mercado do Peru. Em fevereiro, o país andino chegou a absorver mais de 60% de tudo o que o estado exportava. Em março, contudo, os dados da Seplan apontam um movimento de desconcentração: a participação peruana recuou para 25,7%.
Essa retração foi compensada pela ampliação de compras por novos parceiros comerciais, com destaque para a Turquia, o México e os Emirados Árabes Unidos, que direcionaram suas ordens de compra sobretudo para os setores de soja e carne bovina.
No escoamento físico das mercadorias, a via marítima reassumiu a liderança logística, respondendo por 72,2% do volume total exportado pelo estado, tendo como principal entreposto o Porto de Santos (SP). A rota rodoviária manteve relevância estratégica para o abastecimento do mercado andino, utilizando como canal de saída a unidade alfandegária de Assis Brasil, na fronteira internacional.
O balanço do comércio exterior revela também as assimetrias no desenvolvimento econômico interno do estado, concentrando as receitas cambiais em municípios que abrigam plantas de processamento de proteína animal ou grandes áreas agrícolas. O município de Brasileia liderou o ranking das exportações em março, registrando US$ 3,36 milhões em vendas externas, impulsionado pela comercialização de castanha e carne suína.
Logo em seguida, aparece o município de Senador Guiomard, com um faturamento de US$ 1,85 milhão no mês. A receita da localidade foi sustentada quase em sua totalidade pelos embarques de carne bovina provenientes dos frigoríficos locais. Os demais municípios do interior acreano seguem marginais nesse fluxo de divisas, evidenciando as dificuldades de integração de cooperativas menores às exigências do mercado global.
O cronograma técnico da Seplan prevê para as próximas semanas o início do mapeamento das pequenas cooperativas extrativistas do vale do Juruá e do Alto Acre, com o objetivo de incluí-las nas rodadas de negócios internacionais planejadas para o segundo semestre. Agentes da alfândega de Assis Brasil também iniciarão a fiscalização amostral de novas cargas rodoviárias para verificar se o escoamento para o Peru e demais países andinos manterá o ritmo de queda observado ou se haverá estabilização das rotas terrestres frente aos custos do frete marítimo em Santos.
Por Redação NotíciaAmazônica



