Amapá: obras de escola em terra indígena Wajãpi entra na fase final

Prédio na Amazônia amapaense atende demanda de duas décadas e abrigará 200 estudantes de sistema modular.

Uma comitiva técnica da Secretaria de Estado da Educação (Seed) realizou uma vistoria nas obras da Escola Estadual Indígena Yvyraretá, localizada na aldeia de mesmo nome, no interior da Terra Indígena Wajãpi. A inspeção na região, uma das áreas mais isoladas da Amazônia amapaense, exigiu suporte logístico de aeronaves do Grupo Tático Aéreo (GTA) devido à ausência de estradas terrestres transitáveis. O projeto entrou na fase de acabamentos e consolidará o atendimento escolar descentralizado dentro do próprio território originário.

A construção da Escola Yvyraretá responde a uma reivindicação histórica das lideranças da Terra Indígena Wajãpi, que aguardavam há mais de 20 anos por uma estrutura de alvenaria adequada para substituir as instalações provisórias. O isolamento geográfico da bacia do Amapari historicamente encarece e atrasa as obras públicas na região, pois o transporte de materiais de construção pesados depende de janelas climáticas e de transporte aéreo ou fluvial complexo.

A nova edificação foi projetada com três salas de aula, refeitório pre moldado, banheiros adaptados e uma ala de alojamento específica para os professores que se deslocam dos centros urbanos. A unidade concentrará as atividades do Sistema Organizacional Modular de Ensino Indígena (Somei), modelo pedagógico que organiza as disciplinas em blocos de tempo para se adequar ao calendário sociocultural das comunidades locais.

A entrega de uma escola de grande porte dentro de uma área de preservação étnica incide diretamente sobre a taxa de evasão escolar de jovens indígenas, que frequentemente se viam forçados a migrar para as periferias de Macapá ou Laranjal do Jari para concluir a educação básica. Essa migração forçada expunha os estudantes a vulnerabilidades sociais urbanas e provocava o esvaziamento demográfico das aldeias.

Ao fixar a estrutura na aldeia Yvyraretá, a política pública garante o direito à educação formal sem romper os laços comunitários e linguísticos dos adolescentes. No entanto, o desafio do Estado reside na manutenção contínua desse polo remoto: garantir o fornecimento regular da merenda escolar regionalizada, o provimento de energia elétrica para os alojamentos e a segurança das fronteiras contra o avanço de garimpos ilegais continuam sendo pontos de tensão que exigem dotação orçamentária permanente da União e do Estado, indo além da simples entrega da obra física.

O coordenador de Educação Específica da Seed, Emerson Ramos, pontuou que o investimento repara um passivo histórico do poder público com os povos da floresta. “Estamos levando educação para onde ela sempre deveria ter chegado. Essa é uma demanda de mais de 20 anos que estamos transformando em realidade. O compromisso do governador Clécio Luís é garantir que os estudantes indígenas tenham acesso a uma estrutura digna, sem precisar deixar suas comunidades para estudar.”

O professor Kuripi Wajãpi defendeu a conciliação entre as diretrizes curriculares do Ministério da Educação e a transmissão dos saberes ancestrais do seu povo. “A escola vai permitir que nossos estudantes aprendam os conhecimentos da educação formal sem perder a conexão com nossa cultura, nossa língua e nossos costumes. É uma conquista que valoriza nosso povo e fortalece a permanência dos jovens na comunidade.”

As próximas etapas confirmadas pelas equipes de engenharia da Seed incluem a instalação do mobiliário escolar, dos utensílios da cozinha e a vistoria final do sistema de captação de água. Paralelamente, a coordenação do Somei concluirá o cronograma de lotação dos professores que ocuparão os alojamentos da escola para o início do próximo período letivo regulamentar.

Os carpinteiros e técnicos de acabamento realizam os últimos retoques de pintura e fixação de esquadrias na estrutura da aldeia Yvyraretá. A contagem física do estoque de carteiras e quadros brancos que chegam via helicóptero do GTA balizará a assinatura do termo de recebimento definitivo da obra pelo conselho de caciques Wajãpi nas próximas semanas.

Por Redação NotíciaAmazônica

 

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