Petrobras investirá R$ 2,8 bilhões no Amazonas para retomar poços e construir barcaças

Aporte financeiro encerra um hiato de dez anos sem perfurações em Urucu e gera mais de 3 mil empregos na indústria naval local.

O governo federal e a diretoria do Sistema Petrobras anunciam, nesta quarta-feira, 27 de maio, em Manaus, um plano de investimentos de R$ 2,8 bilhões voltado ao estado do Amazonas com execução prevista até 2030. O montante, que marca a retomada das perfurações na província petrolífera de Urucu após uma década de estagnação, divide-se entre a expansão da infraestrutura de extração mineral em terra firme e a encomenda de barcaças logísticas ao setor naval amazonense. A medida visa reduzir custos operacionais de transporte de combustíveis e interiorizar o abastecimento energético na Região Norte.

O Polo Urucu, localizado no município de Coari (AM), no interior da floresta amazônica, completa 40 anos de operação consolidado como a maior província petrolífera terrestre do Brasil, com uma extração média diária de 105 mil barris de óleo equivalente. Apesar dessa relevância estrutural, a unidade enfrentava um jejum de dez anos sem investimentos na abertura de novas frentes de exploração.

O novo aporte destinará R$ 2,5 bilhões especificamente para o polo, viabilizando a perfuração de novos poços e a instalação de 40 quilômetros de linhas de conexão. A infraestrutura projetada tem como meta acrescentar 4.400 barris por dia à capacidade atual de produção da bacia.

A injeção de capital atinge diretamente a cadeia produtiva local por meio do Programa Mar Aberto, braço logístico da Transpetro que busca reverter a dependência de serviços privados no escoamento de insumos. Atualmente, a Petrobras gasta R$ 300 milhões por ano com contratos terceirizados para o transporte e abastecimento de combustível marítimo (bunker) nos portos brasileiros.

Ao repassar R$ 303,5 milhões ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia para a fabricação de 18 barcaças, a estatal absorve essa operação e gera, de imediato, 3,3 mil empregos diretos e indiretos no estado. No cenário macroeconômico, a cadeia produtiva do petróleo responde por 14 mil postos de trabalho no Amazonas, figurando como a maior fonte de arrecadação de ICMS do estado, com repasses e participações governamentais que somaram R$ 1,5 bilhão em 2025.

A matriz energética residencial também é impactada pelo polo de Coari, que processa uma média de 80 mil botijões de gás de cozinha (GLP) por dia, abastecendo a totalidade dos estados da Região Norte e frações do Nordeste. No segmento elétrico, o gás extraído em Urucu sustenta 65% da energia consumida em Manaus e em outros cinco municípios adjacentes.

A descentralização do combustível para áreas remotas da Amazônia, historicamente isoladas e dependentes de fontes mais poluentes, constitui a próxima etapa da estratégia de distribuição integrada. Para além da infraestrutura pesada, os desdobramentos operacionais preveem o início das atividades de uma parceria com a empresa Amazônica Energy a partir de 2028. O acordo comercial, firmado em novembro do ano passado, projeta expandir a segurança energética do extremo norte do país com uma oferta adicional mínima de 100 mil metros cúbicos de gás natural por dia.

Os operários do Estaleiro Bertolini dão início ao cronograma de montagem das estruturas metálicas das barcaças nesta semana, enquanto as equipes técnicas da Petrobras iniciam o mapeamento geológico para posicionar as sondas de perfuração em Coari. O sucesso do plano depende da navegabilidade dos rios amazônicos para o transporte dos insumos e da manutenção do cronograma de entregas navais até 2030.

Por Redação NotíciaAmazônica

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