Pará: Obras de mobilidade na Grande Belém reduzem tempo de deslocamento no transporte público

Pacote de intervenções gerido pelo NGTM inclui cinco novos viadutos e corredores expressos que atendem fluxo diário de até 40 mil veículos.

O tempo médio de deslocamento em partes do transporte coletivo na Região Metropolitana de Belém caiu de quase duas horas e meia para cerca de 30 minutos em rotas intermunicipais. A redução do tempo de viagem é resultado de um pacote de obras estruturantes executado pelo Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM), que alterou a engenharia de tráfego na rodovia BR-316. Os investimentos em mobilidade urbana buscam reverter gargalos históricos de retenção viária na principal porta de entrada da capital paraense, por onde circulam diariamente entre 30 e 40 mil veículos.

A reconfiguração da malha rodoviária da Grande Belém baseia-se na criação de elevados e vias expressas planejados para retirar o fluxo de bairros periféricos adensados e conectá-los diretamente aos eixos troncais. Nos últimos três anos, o Governo do Pará concluiu a construção de cinco viadutos na região metropolitana. O planejamento viário descentralizado priorizou cruzamentos críticos nos municípios de Ananindeua e Belém.

O plano de integração metropolitana inclui a requalificação física de 10,8 quilômetros da BR-316. As intervenções na rodovia federal compreenderam a recomposição de pistas, calçadas, implantação de sistema de drenagem pluvial e instalação de passarelas para travessia de pedestres. A reestruturação da via dá suporte técnico à implantação do sistema BRT Metropolitano, desenhado para unificar linhas intermunicipais de ônibus sob a cobrança de tarifa única, reduzindo o custo operacional para os trabalhadores de baixa renda que vivem nos municípios-dormitório de Marituba, Benevides e Ananindeua.

A redução do tempo de permanência nos modais de transporte público atinge diretamente a qualidade de vida da população periférica, que historicamente arca com os prejuízos sociais do crescimento urbano desordenado. Trabalhadores que cruzam os limites municipais diariamente de segunda-feira a sábado relatam os impactos diretos da maior fluidez no cotidiano fora das empresas.

O benefício estende-se também ao setor de logística de cargas de abastecimento. Motoristas profissionais que utilizam o entroncamento da Alça Viária para conectar Belém às regiões sul e sudeste do país relatam que a eliminação dos pontos crônicos de engarrafamento reduziu o consumo de combustível e otimizou o cumprimento das janelas de frete interestadual.

“Antes, o trânsito era complicado. Na hora do pique não andava. Agora tá chique, só o ouro”, relatou Volnei Palharim, caminhoneiro que transporta fretes vindos do Rio Grande do Sul há mais de duas décadas para a capital paraense.

O motorista Evaldo Lobato complementou a análise da fluidez na região, apontando que quem acessa a via a partir do núcleo residencial da Cidade Nova passou a contar com tráfego livre em direção à rodovia e à Avenida Mário Covas.

As frentes de trabalho da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) concentram-se na execução do sexto elevado da Grande Belém, localizado no cruzamento das avenidas João Paulo II e Doutor Freitas. A estrutura terá 345 metros de extensão e 5,5 metros de altura, com o objetivo de eliminar a retenção de veículos que saem das rodovias em direção ao centro político e comercial da capital.

No planejamento de eixos alternativos periféricos, constam a abertura da Avenida Liberdade — via expressa concebida para ligar Marituba ao centro de Belém em cerca de 15 minutos — e a construção da nova Rua da Marinha, ligando o núcleo central à Avenida Augusto Montenegro. Na Ilha de Outeiro, o tráfego terrestre permanente foi restabelecido com a reforma estrutural e o reforço de pilares da Ponte Enéas Martins, além da construção de uma segunda travessia, batizada de Ponte Pastor Firmino Gouveia, que atende a uma reivindicação histórica dos moradores locais.

A integração dos municípios de Belém e Ananindeua ganhará um novo eixo com a construção da ponte sobre o Rio Maguari. A estrutura conectará a Avenida Augusto Montenegro ao bairro do 40 Horas sem passar pelas rodovias federais, reduzindo os trajetos urbanos em até 12 quilômetros. Para além das grandes vias expressas, a Seinfra mantém em andamento o programa “Asfalto por Todo o Pará”, focado na pavimentação, terraplenagem, instalação de meios-fios e drenagem de ruas secundárias nos bairros mais populosos, visando garantir a circulação interna e o tráfego de viaturas de emergência.

O cronograma do NGTM estabelece que, nos próximos meses, as vistorias técnicas do sexto viaduto na Avenida João Paulo II focarão na concretagem das vigas de sustentação e na finalização das rampas de acesso. A Seinfra monitorará os índices de retenção de tráfego nos cruzamentos periféricos conforme o sistema do BRT Metropolitano absorver as frotas alimentadoras municipais, condicionando a liberação integral das pistas expressas à conclusão dos testes operacionais de sinalização e bilhetagem eletrônica.

Por Redação NotíciaAmazônica

 

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