Governador apresenta projetos de bioeconomia e transição energética a diplomatas de 17 países para tentar reduzir desigualdade regional.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, apresentou um conjunto de projetos voltados à bioeconomia, transição energética e conectividade digital para uma delegação liderada pela embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. O encontro, realizado em Manaus com diplomatas de 17 países-membros do bloco, buscou atrair investimentos internacionais sustentáveis para os municípios do interior do estado. A iniciativa visa estruturar alternativas de renda para as populações locais e mitigar a dependência econômica em relação à capital, aproveitando a manutenção de mais de 90% da cobertura florestal do território.
A estrutura econômica do Amazonas enfrenta o desafio histórico da concentração de renda e de infraestrutura na capital. Enquanto Manaus centraliza as atividades industriais por meio do modelo da Zona Franca, os municípios do interior sofrem com o isolamento geográfico e com a escassez de matrizes produtivas dinâmicas, o que eleva a pressão social sobre os recursos naturais.
Durante as discussões sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, o governo estadual detalhou gargalos logísticos crônicos e defendeu a necessidade de investimentos na rodovia BR-319, além de aportes nas redes de saúde, segurança pública e telecomunicações.
Para tentar reverter o panorama de baixa industrialização nas cidades ribeirinhas, o plano estadual aposta no beneficiamento tecnológico de produtos florestais não madeireiros. A estratégia busca agregar valor à produção extrativista sem desestruturar os modos de vida das comunidades tradicionais, alinhando a conservação ambiental à geração de emprego qualificado.
O Plano Estadual de Bioeconomia, aprovado no ano anterior, estabelece diretrizes para a fusão de conhecimentos tradicionais com inovação laboratorial. Um dos exemplos práticos da aplicação dessa política é o beneficiamento do açaí liofilizado. O processo transforma o fruto em pó, contornando as restrições logísticas de perecibilidade e viabilizando o transporte de longa distância para mercados consumidores externos.
No entanto, o avanço desses novos eixos econômicos e o monitoramento ambiental dependem diretamente da universalização de serviços básicos. A falta de redes de comunicação eficientes nas calhas dos rios amazônicos atua hoje como um entrave para a modernização das cooperativas e para a própria governança do território.
O modelo de desenvolvimento baseado na exploração mineral e de gás divide espaço com a agenda de conservação estrita cobrada pelo bloco europeu. O vice-governador Serafim Corrêa pontuou que o foco normativo do estado está em conectar a biodiversidade regional ao mercado global, abrindo canais comerciais com os Estados Unidos, Japão e Europa.
“Hoje o nosso Estado, como todos sabem, tem mais de 90% da floresta preservada, nós temos o melhor modelo econômico do norte do país com a Zona Franca, nós temos uma cidade de Manaus que tem uma economia muito diferenciada do restante dos outros municípios, mas nós precisamos atrair investimentos, nós precisamos do apoio da União Europeia, do apoio dos países desenvolvidos para criar novas matrizes econômicas e oportunidades para cada município”, afirmou o governador Roberto Cidade.
A embaixadora Marian Schuegraf sinalizou a disposição do bloco em financiar tanto as cadeias extrativistas quanto a infraestrutura tecnológica do estado: “A União Europeia quer se engajar em toda a envergadura dos investimentos e da cooperação. Pode ser, como o governador disse, na bioeconomia com produtos tradicionais, mas pode ser também uma cooperação para estabelecer conectividade digital em áreas remotas na Amazônia”, declarou a diplomata.
Após a rodada de apresentações na capital paraense, as equipes técnicas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) darão início à formatação dos cadernos de encargos específicos para os projetos de conectividade digital. O Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores na Região Norte acompanhará o cronograma de reuniões bilaterais entre os técnicos do Amazonas e as agências de cooperação europeias. O objetivo das próximas etapas é definir os critérios de auditoria ambiental e os mecanismos de salvaguarda social necessários para a liberação dos fundos internacionais de financiamento à bioeconomia.
Por Redação NotíciaAmazônica



