Usinas da Paz articulam serviços públicos básicos e registram queda nos índices de criminalidade urbana no estado.
A mineradora multinacional Hydro concluiu o investimento de R$ 480 milhões na construção de sete unidades da Usina da Paz no Pará, integrando as ações do programa estadual Territórios Pela Paz (TerPaz). As estruturas multifuncionais têm potencial para atender mais de 1,8 milhão de pessoas em municípios estratégicos e bairros periféricos da Região Metropolitana de Belém. O modelo de cooperação público-privada transfere para a corporação os custos das obras civis de infraestrutura urbana, repassando ao Estado a gestão dos serviços de segurança, saúde e inclusão digital em áreas vulneráveis que registraram recuo de até 90% nos indicadores de homicídios.
A interiorização do programa TerPaz priorizou os municípios que compõem a rota operacional e logística do Grupo Hydro no Pará. Em Paragominas, ponto de extração da bauxita, a unidade foi inaugurada em janeiro com recursos próprios da empresa da ordem de R$ 91 milhões. Em Barcarena, polo industrial que sedia a refinaria Alunorte e a produtora de alumínio Albras, as companhias destinaram R$ 95 milhões para o complexo fabril de cidadania que atende 139 mil habitantes.
O município de Tomé-Açu recebeu um aporte de R$ 70,1 milhões para a construção de sua Usina da Paz no Centro da cidade, enquanto o município de Moju contou com R$ 64 milhões para o erguimento da estrutura local. Na capital, Belém, a Hydro financiou e entregou outras três unidades nos bairros de alta densidade populacional do Guamá, Terra Firme e Jurunas/Condor, todas projetadas com parâmetros de acessibilidade para pessoas com deficiência.
A inserção das Usinas da Paz nos tecidos urbanos paraenses gerou reflexos econômicos imediatos durante a fase de engenharia civil. No pico das construções em Paragominas, o empreendimento abriu 350 postos de trabalho. Já nos canteiros de Barcarena e Tomé-Açu, foram geradas 300 vagas de emprego por localidade. Em todas as frentes de trabalho das empreiteiras, as contratações fixaram uma taxa de 90% de aproveitamento de operários residentes nos próprios municípios, mitigando o desemprego conjuntural.
O desenho institucional das usinas — divididas em dois blocos de edificações denominados Assistência e Usina — tenta preencher lacunas históricas do funcionalismo público. Concentrar a emissão de carteiras de identidade, consultas odontológicas, assistência jurídica e laboratórios de informática em um único aparato mitiga o deslocamento de populações carentes. Contudo, analistas de políticas públicas apontam que o modelo impõe desafios fiscais de longo prazo, já que a manutenção contínua e o custeio dos servidores operacionais passam a onerar permanentemente o orçamento do tesouro estadual após a entrega física das chaves pelas mineradoras.
O vice-presidente executivo da Hydro Bauxita & Alumina, John Thuestad, manifestou-se sobre o potencial de descentralização das oportunidades sociais a partir dos prédios comunitários: “Ao reunir serviços essenciais em um só lugar, o centro ajudará a melhorar o acesso ao apoio, as oportunidades para os moradores locais e contribuirá para comunidades mais fortes e inclusivas.”
A relação de dependência mútua entre a viabilidade das grandes plantas industriais e o bem-estar socioeconômico da periferia que abriga o mineroduto de 244 quilômetros de extensão foi avaliada por Anderson Baranov, executivo da Hydro e dirigente setorial no SIMINERAL e no IBRAM: “A chegada da Usina da Paz a Paragominas é um marco de profunda relevância para a Hydro e para a comunidade. Acreditamos no poder da colaboração e na força transformadora de projetos como este, que oferecem oportunidades reais e elevam a qualidade de vida. Nossa presença aqui reflete nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável dos territórios onde operamos, algo que passa, necessariamente, pelo investimento social e pela promoção do acesso a direitos fundamentais. É com grande orgulho que entregamos este espaço de esperança e progresso.”
Com a entrega das sete plantas arquitetônicas, a Secretaria de Planejamento e Administração do Pará assume a coordenação das atividades cotidianas nos complexos. O cronograma prevê a abertura imediata das inscrições para as oficinas profissionalizantes e para o uso das piscinas semiolímpicas e ginásios poliesportivos. Os órgãos de segurança pública do estado deverão manter o monitoramento estatístico nos bairros do Jurunas, Guamá e Terra Firme para verificar se a redução de 90% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) observada no início do programa TerPaz se consolidará como uma tendência estável após a expansão da rede de acolhimento social.
A conclusão das obras das sete Usinas da Paz financiadas pela Hydro desenha uma nova dinâmica de responsabilidade social corporativa na Amazônia Oriental, atrelando a imagem de grandes multinacionais da mineração a repasses estruturais ao governo do estado. Se a curto prazo os R$ 480 milhões injetados reduzem a violência imediata e facilitam o acesso aos documentos e à saúde básica, a eficácia futura desses espaços públicos demandará uma dotação orçamentária rígida do Estado para garantir que as estruturas não sofram com o sucateamento técnico.
Por Redação NotíciaAmazônica



