Levantamento da OnStrategy feito com 278 mil estrangeiros expõe desconhecimento e desconfiança sobre estados amazônicos.
A região Norte do Brasil registrou os piores índices de percepção e reputação internacional no relatório Marca Brasil, divulgado pela consultoria OnStrategy. O levantamento, que colheu opiniões no mercado externo entre outubro de 2025 e março de 2026, revelou que o Norte é a única porção territorial do país classificada com desempenho “fraco” pelos estrangeiros nos eixos de “Exposição e Relevância Internacional”, onde obteve nota 3,1, e “Admiração e Confiança”, com média 3,9. O diagnóstico acende um alerta sobre o descompasso entre a centralidade ecológica da Amazônia e a efetiva capacidade do país de consolidar uma imagem institucional sólida e confiável no exterior.
A amostragem desenvolvida pela consultoria OnStrategy constitui um amplo inventário sobre a reputação do Brasil, estruturado por meio de entrevistas online com 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros, englobando cidadãos comuns, executivos corporativos, jornalistas, influenciadores digitais e autoridades políticas. As consultas internacionais abrangeram 26 países de múltiplos continentes, incluindo mercados estratégicos e parceiros comerciais como Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido, Argentina, Índia, Emirados Árabes e África do Sul.
A metodologia aplicada buscou mensurar o valor econômico e institucional das marcas regionais a partir de análises e avaliações estratégicas que cruzam dinâmicas da economia, da política e do ambiente social brasileiro. O resultado geral apontou que nenhuma das cinco regiões do país conseguiu obter uma avaliação externa considerada “excelente”.
As notas baixas atribuídas ao Norte expõem o isolamento econômico e político a que a região é submetida, a despeito de concentrar os principais debates sobre a crise climática global. Na avaliação detalhada por estados, o Amapá (4,2), Rondônia (4,2), Acre (4,3) e Tocantins (4,3) amargaram as piores posições em “Imagem e Reputação”.
Essa fragilidade de imagem deprime o potencial de atração de investimentos produtivos e financiamentos internacionais sustentáveis, essenciais para gerar alternativas de emprego e renda para as populações locais. O peso da desconfiança externa reflete a percepção internacional sobre problemas estruturais crônicos não resolvidos pela governança pública nacional, como o avanço das violações ambientais e a precariedade na infraestrutura de serviços básicos. Desse modo, o subdesenvolvimento socioeconômico acaba retroalimentando o estigma estrangeiro sobre a periferia amazônica.
Os dados do relatório Marca Brasil devem subsidiar o planejamento estratégico de agências de fomento ao turismo e secretarias estaduais de desenvolvimento econômico a partir do segundo semestre. A fixação de indicadores científicos de reputação impõe às administrações do Norte a necessidade de reformular suas políticas de comunicação externa e de diplomacia corporativa. Os estados que receberam as piores notas (Amapá, Rondônia, Acre e Tocantins) terão de apresentar planos para mitigar as avaliações negativas junto a câmaras de comércio internacionais e missões diplomáticas dos países pesquisados pela consultoria, visando reverter o cenário de baixa credibilidade mercadológica.
O diagnóstico da OnStrategy evidencia que a projeção internacional da Amazônia não tem se traduzido em ativos de reputação ou confiança para os estados que integram a região Norte. Enquanto os indicadores de admiração externa permanecerem estacionados no patamar classificado como fraco, o isolamento institucional da floresta tende a persistir. A superação desse déficit de imagem depende de ações estruturadas que consigam vincular a salvaguarda ambiental ao efetivo desenvolvimento social e econômico de seus habitantes.
Por Redação NotíciaAmazônica



