Plano integrado do Governo do Pará quer transformar município esquecido em polo de investimentos, com foco em mineração e empreendedorismo.
Enquanto o Pará vive o boom da mineração, Irituia — município de 32 mil habitantes no nordeste do estado — parecia condenado a assistir de longe. Até agora. Nesta quinta-feira (14), a Codec, braço econômico do governo estadual, deu o primeiro passo para transformar a cidade em um laboratório de desenvolvimento. O alvo? Potencializar terras raras (minerais estratégicos para tecnologia) e arrastar a economia local para o século XXI.
O plano, ainda em fase de articulação, tem três eixos: Formalização de empresas (apenas 15% dos negócios locais têm CNPJ, segundo a prefeitura); Criação de uma área econômica incentivada; Elaboração do Guia do Investidor de Irituia — um “manual” para atrair capital externo.
“Queremos que empresas já instaladas, como as do setor mineral, puxem cadeias de fornecedores”, explica Manoel Ibiapina, diretor da Codec. O município produz hoje manganês e ouro, mas as terras raras (usadas em celulares e carros elétricos) são a aposta para diversificação.
Enquanto o vice-prefeito Gleice Almeida fala em “oportunidades subexploradas”, o procurador Igor Cotta admite: falta estrutura. O Plano Diretor Municipal está desatualizado, e agricultores familiares — 40% da economia local — seguem desconectados do mercado formal. A solução? “Secretaria de Desenvolvimento como elo entre Estado e município”, sugere Ibiapina.
Se der certo, o projeto pode virar modelo para outros municípios esquecidos na Amazônia. A Codec garante que o serviço é gratuito e “blindado” a trocas de governo. Enquanto isso, Irituia espera. Não por caridade, mas por negócios: “Aqui, crescimento econômico tem que ter CPF, CNPJ e nota fiscal”, crava o secretário de Finanças, Bento Vitório.



