Simulação de emergência entre Petrobras e Ibama marca último passo para liberar exploração em área ambientalmente sensível.
No dia 24 de agosto, ou logo depois, o Brasil pode dar um passo que mistura ousadia econômica e risco ambiental: a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Petrobras e Ibama selaram um acordo para a Avaliação Pré-Operacional (APO) — um “ensaio de desastre” que é, na prática, o teste final antes da perfuração na Margem Equatorial.
O exercício, de logística complexa, envolve deslocar equipes e equipamentos até uma das regiões mais remotas e ambientalmente frágeis do país. Para a Petrobras, é a etapa derradeira para obter a licença ambiental. Para organizações ambientais, é um gatilho para abrir uma nova frente petrolífera justamente quando o Brasil tenta vender ao mundo uma imagem verde, a poucos meses da COP30 em Belém (PA).
O embate, que começou em 2023 com a negativa inicial do Ibama, ganhou tração após descobertas de óleo e gás em países vizinhos como Colômbia, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. A pressão política também não é pequena: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já trata a data como “vitória do Amapá e do Brasil” e como sinal de um “futuro energético sustentável”.
A Margem Equatorial é vista como a última grande fronteira exploratória brasileira. Ela se estende por cerca de 500 km a partir da foz do Amazonas e alcança águas com profundidade de até 2.000 metros. O Brasil, 8º maior produtor mundial de petróleo, já exporta mais da metade do que extrai. Críticos alertam que o foco da operação no Amapá não seria abastecer o mercado interno, mas aumentar exportações, reforçando a dependência do petróleo e colocando em xeque as metas climáticas.
Enquanto Petrobras garante que o debate “beira o consenso” e que há “poucas vozes dissonantes” quanto à licença, ambientalistas sustentam que a simulação pode ser a porta de entrada para danos irreversíveis. Se o APO correr bem, a perfuração na Foz do Amazonas deixará de ser um plano para se tornar um fato — e o país terá de lidar, inevitavelmente, com o impacto dessa aposta.
noticiaamazonica



