Famílias quilombolas de Arapemã imploram por socorro e nova terra. O fenômeno das terras caídas ameaça vidas na Amazônia.
A realidade do território quilombola do Arapemã, em Santarém, no Pará, é um dos dramas mais urgentes da Amazônia. E a agonia das famílias, que vivem sob a ameaça constante das “terras caídas”, agora volta a ser a pauta central da Mesa Quilombola do Baixo Amazonas. A reunião, que havia sido suspensa em protesto contra a morosidade do poder público, foi retomada para cobrar ações imediatas e evitar que a natureza cobre um preço ainda maior: a vida.
O fenômeno, que afeta a comunidade há mais de 60 anos, acelerou drasticamente nos últimos quatro, avançando em direção às casas e à escola local. A presidente da Associação do Arapemã, Maria Alba Vasconcelos, não esconde o temor: “Estamos com medo mesmo que a correnteza nos leve a gente na correnteza.” Em resposta, o superintendente do INCRA, José Maria de Sousa, reconheceu a gravidade da situação e o empenho da autarquia em encontrar uma saída. A solução pode estar na oferta de uma área pela comunidade vizinha de Bom Jardim, mas a medida ainda depende de entraves jurídicos, que agora contarão com o apoio do Ministério Público Federal.
A retomada da Mesa Quilombola é um sinal de esperança, mas também um lembrete da urgência. Enquanto 19 processos de titulação de territórios quilombolas aguardam no INCRA, a situação de Arapemã exige uma ação imediata. Como destacou a presidente da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém, Mirian Coelho, o objetivo da mesa é “salvar vidas, salvar um território, salvar pessoas.” O diálogo, que se mostra crucial para desatar os nós burocráticos, agora corre contra o tempo, em uma corrida desesperada para proteger a história, a cultura e a vida das famílias quilombolas do Arapemã.
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