Governo mira nova Itaipu no Rio Madeira em uma possível parceria com a Bolívia

Ministro Alexandre Silveira cita projeto binacional com a Bolívia e aposta em megahidrelétricas no Rio Madeira para ampliar o poder energético do país

Nesta sexta-feira (22), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a possibilidade de erguer uma nova hidrelétrica binacional no Rio Madeira, em parceria com a Bolívia. O anúncio reposiciona o tema das grandes obras energéticas no centro da agenda e coloca a Amazônia latina mais uma vez sob os holofotes de interesses cruzados entre desenvolvimento e preservação.

“Falei com o presidente Lula sobre a importância de enfrentar esse debate. A ideia é avançar, quem sabe, uma nova binacional a caminho, repetindo o sucesso de Itaipu”, declarou Silveira, em referência à hidrelétrica construída com o Paraguai entre 1975 e 1982.

O ministro participou de cerimônia após o leilão de contratação de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que somam até 50 MW cada. No mesmo evento, anunciou um novo certame: até 3 mil megawatts serão contratados até o fim do primeiro trimestre de 2026.

O movimento reacende um impasse histórico. Enquanto defensores das hidrelétricas destacam o potencial de geração limpa e estratégica para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ambientalistas alertam para os impactos sociais e ambientais: deslocamento de comunidades ribeirinhas, perda de biodiversidade e transformação irreversível de ecossistemas únicos da Amazônia latina.

Além disso, especialistas apontam para o risco geopolítico. A construção de uma usina binacional no Madeira, um dos rios mais importantes da bacia amazônica, exigirá negociações complexas com a Bolívia, em um cenário de disputas territoriais, pressão de grupos locais e presença crescente de economias ilegais na região.

Ainda não há cronograma oficial para a negociação binacional, mas a sinalização política já provoca reações. Para críticos, o retorno das megahidrelétricas na Amazônia latina representa um retrocesso. Para o governo, é oportunidade de repetir o modelo de Itaipu e expandir a segurança energética em longo prazo.

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