Energia, internet e água potável formam tríade para prosperidade na Amazônia

Projetos comunitários mostram redução de 35 mil litros de diesel por ano e mais de 169 mil pessoas impactadas pela conectividade na região

A combinação de energia solar, conectividade e acesso à água potável emerge como eixo estruturante para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, apontam iniciativas em curso na região. Enquanto uma usina solar na Comunidade Indígena Três Unidos, no Rio Negro, garante energia limpa para 45 famílias e economiza 35 mil litros de diesel por ano, a Rede Conexão Povos da Floresta já alcançou 2.106 comunidades em 2025, com impacto estimado em 169 mil pessoas. Os três pilares, atuando de forma integrada, começam a reverter décadas de exclusão que atingem ribeirinhos, indígenas e quilombolas.

A usina solar instalada na Comunidade Indígena Três Unidos, na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro, beneficia 50 casas e seis empreendimentos comunitários. Além da economia de 35 mil litros de diesel por ano, a iniciativa evita a emissão de aproximadamente 111 toneladas de CO₂ anuais. O impacto vai além dos números: escolas passam a funcionar melhor, vacinas podem ser armazenadas corretamente e pequenos negócios ganham condições de surgir.

Mas energia, sozinha, não sustenta a transformação. A conectividade é o segundo pilar. Dados da Pesquisa TIC Domicílios 2024, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostram que as desigualdades de acesso à internet nas áreas rurais da Região Norte seguem profundas. Em muitas comunidades, o sinal é inexistente ou instável, o que limita acesso à educação, telemedicina e mercado para produtos da sociobiodiversidade.

A Rede Conexão Povos da Floresta tratou a conectividade como infraestrutura de cidadania. Em 2025, a rede alcançou 2.106 comunidades em 251 municípios dos nove estados da Amazônia Legal, com 56.648 usuários cadastrados. O sistema de telessaúde gratuito registrou 3.121 atendimentos desde sua implementação em 568 comunidades. Quando a internet chega, jovens acessam conteúdos educacionais, produtores ampliam mercados e comunidades deixam de estar isoladas de políticas públicas.

O terceiro pilar é a água potável. Apesar de a Amazônia concentrar cerca de 20% da água doce superficial do planeta, o saneamento básico segue como desafio histórico. O Ranking do Saneamento 2025, do Instituto Trata Brasil, coloca municípios da Região Norte entre os piores indicadores de acesso à água tratada e coleta de esgoto do país. As consequências são diretas: aumento de doenças de veiculação hídrica, impacto na saúde infantil e sobrecarga para mulheres e meninas, que dedicam horas do dia à coleta de água.

Quando os três elementos se conectam, o impacto deixa de ser pontual e passa a ser sistêmico. A energia solar permite o funcionamento de sistemas de bombeamento e tratamento de água. A conectividade amplia o acesso à informação, à educação e à saúde. A água potável melhora a qualidade de vida e fortalece o desenvolvimento local.

O projeto Gelo Caboclo, na comunidade ribeirinha Santa Helena do Inglês, em Iranduba (AM), exemplifica essa integração. Abastecido por energia solar, o complexo produz uma tonelada de gelo por dia e armazena até 20 toneladas, além de contar com poço artesiano para abastecimento exclusivo de água de boa qualidade. A iniciativa reduz custos logísticos, diminui perdas na pesca artesanal e fortalece a economia local.

Por Redação NotíciaAmazônica

 

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