Ação conjunta das Polícias Civis do Pará e Amazonas desarticula logística de facção interestadual com apreensão de armas e bloqueios bancários milionários.
As Polícias Civis do Pará e do Amazonas deflagraram, nesta quarta-feira (21), a Operação Iara, uma ofensiva estratégica que resultou no bloqueio de R$ 4,8 milhões em ativos financeiros e na apreensão de aproximadamente 250 quilos de cocaína. A ação, que mobilizou diversas divisões especializadas, ocorreu simultaneamente em sete estados brasileiros para combater uma organização criminosa dedicada ao tráfico interestadual de drogas. No Amazonas, os agentes cumpriram 13 mandados judiciais, capturando armamentos de grosso calibre e efetuando uma prisão preventiva. A relevância da operação reside na desarticulação de um sofisticado esquema logístico que utilizava a calha dos rios amazônicos para escoar entorpecentes em larga escala para o Pará e outras regiões do país.
A investigação que deu origem à operação foi conduzida pela Polícia Civil do Pará, por meio do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) e da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), após a identificação de um ponto de apoio logístico em Prainha (PA). A partir dessa apreensão inicial de toneladas de drogas em território paraense, o monitoramento técnico revelou a existência de diversos núcleos operacionais que estruturavam o transporte de ilícitos a partir do Amazonas. O aprofundamento das provas permitiu que o Judiciário autorizasse ações em Alagoas, Rio de Janeiro, Ceará, São Paulo e Amapá, demonstrando a capilaridade da rede criminosa. Considerando todos os alvos da operação no Brasil, o montante total de bens e valores bloqueados pela Justiça alcançou a cifra de R$ 58 milhões.
O delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga, ressaltou que o êxito da ofensiva é fruto direto do compartilhamento de informações estratégicas entre as instituições estaduais. “Os levantamentos iniciais foram realizados no Amazonas e repassados às equipes do Pará, permitindo o avanço das investigações e a interceptação da carga ilícita, que tinha como destino final o território paraense. Além da droga, foram apreendidas armas de fogo, incluindo espingarda, e essas apreensões representam um duro golpe contra o crime organizado, evidenciando a eficácia da atuação integrada entre as Polícias Civis”, mencionou o delegado-geral. A integração contou ainda com o suporte de departamentos de inteligência e da Receita Federal para asfixiar o braço financeiro do grupo.
Segundo o delegado Lúcio Bezerra de Menezes, da Polícia Civil do Pará, os investigados presos no Amazonas e em São Paulo desempenhavam funções críticas para a manutenção das atividades ilícitas. “Durante a ação, foi cumprida uma prisão preventiva no Amazonas, enquanto outra ocorreu no estado de São Paulo. Os presos integram o núcleo de apoio logístico da organização, responsável por estruturar desde o fornecimento de embarcações e armamentos até o transporte da droga para o Pará e outros estados do país”, explicou o delegado paraense. O foco no núcleo logístico é uma tática para impedir a continuidade do escoamento de entorpecentes, uma vez que a organização depende de infraestrutura náutica específica para operar na região Norte.
A apreensão dos 250 quilos de cocaína gera um prejuízo imediato estimado em mais de R$ 18 milhões para os cofres do crime organizado, somando-se às perdas geradas pelos bloqueios de contas bancárias. As autoridades agora se concentram na análise dos documentos e materiais eletrônicos recolhidos durante as buscas para identificar outros integrantes da cadeia de comando e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro. O desdobramento das diligências deve seguir com a cooperação entre as sete unidades da federação envolvidas, buscando a extradição de custodiados e o rastreamento total dos ativos remanescentes. A operação reafirma o uso da inteligência policial como principal ferramenta para combater facções que utilizam fronteiras estaduais para ocultar operações criminosas.
A conclusão das atividades operacionais desta quarta-feira sinaliza uma mudança de patamar na vigilância das hidrovias nortistas, transformando rotas antes isoladas em alvos de monitoramento constante. Para o cidadão, o impacto dessas ações reflete na redução da violência associada ao tráfico e na contenção do poder bélico de grupos que operam à margem da lei. O montante de R$ 58 milhões bloqueados nacionalmente retira a capacidade de reinvestimento da quadrilha em novos carregamentos e na compra de armas de fogo. O trabalho conjunto das Polícias do Pará e Amazonas estabelece um precedente de colaboração técnica que deve guiar as próximas fases de enfrentamento ao narcotráfico na região amazônica, priorizando a asfixia logística e patrimonial.
por redação noticiaamazonica



