Itapiranga ganha primeira base fixa de bombeiros; estado chega a 11 novas unidades em meio à escalada das queimadas.
As chamas não pedem licença, mas o Amazonas tenta se antecipar. Nesta sexta-feira (15), o governador Wilson Lima inaugurou, em Itapiranga (a 227 km de Manaus), o 11º Grupamento Integrado de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIP). A nova base é a primeira instalação fixa do Corpo de Bombeiros no município e faz parte da estratégia estadual para enfrentar o avanço das queimadas e ampliar a capacidade de resposta em regiões do interior.
De acordo com Lima, a unidade será decisiva no enfrentamento da estiagem, quando incêndios florestais se multiplicam, mas também atuará em resgates, salvamentos e ocorrências urbanas. “É uma estrutura permanente, preparada para atender a população com rapidez”, disse o governador.
O investimento de R$ 25 milhões no programa já resultou em 11 novas unidades desde maio, com a meta de chegar a 27 municípios até o fim da implantação. Além de Itapiranga, já receberam GCIPs as cidades de Tapauá, Rio Preto da Eva, Novo Aripuanã, Maués, Lábrea, Manaquiri, Autazes, Jutaí, Coari e Apuí.
A estrutura de Itapiranga tem 191 metros quadrados, equipada com viatura Auto Tanque Florestal de 10 mil litros, pulverizadores, motobomba, lanternas, cones de sinalização e alojamentos masculino e feminino. Cinco militares foram transferidos para o município e 13 brigadistas cedidos pela prefeitura atuarão de forma permanente, após capacitação de 18 meses.
O coronel Cristiano Ferreira, coordenador do GCIP, afirmou que a unidade trará todos os serviços prestados em municípios que já contam com base fixa. “Teremos combate a incêndios florestais e urbanos, socorro de emergência, atendimento pré-hospitalar, buscas na selva e ações em ambientes aquáticos”, destacou.
A inauguração contou com presença de deputados estaduais, vereadores e prefeitos de cidades vizinhas, reforçando o tom político da cerimônia. A nova base também passa a emitir o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento essencial para a regularização de estabelecimentos comerciais e industriais.
O Amazonas, historicamente pressionado pelas queimadas durante o período seco, aposta que os novos grupamentos ajudarão a reduzir os impactos ambientais e sociais. A pergunta que fica é se o ritmo das inaugurações será suficiente para conter a velocidade do fogo — porque, no fim, o combate a incêndios no Amazonas não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de sobrevivência.
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