Governo estadual fortalece o programa Rota do Cacau com foco no manejo nativo e cultivo planejado, aliando preservação da floresta e geração de renda no campo.
O Governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), intensifica as ações de fortalecimento da cacauicultura como estratégia central de desenvolvimento rural e conservação ambiental. O setor vive um momento de consolidação no estado, fundamentado no uso responsável dos recursos naturais e na valorização de comunidades tradicionais, incluindo povos indígenas, extrativistas e ribeirinhos. A iniciativa integra o programa Rota do Cacau, que busca estruturar a cadeia produtiva tanto do fruto cultivado quanto do nativo, oferecendo suporte técnico para ampliar a segurança da produção e as oportunidades econômicas. Por ser uma atividade que permite o consórcio com a floresta em pé, o cacau tornou-se o pilar de uma política pública que prioriza a sustentabilidade e a permanência do homem no campo com dignidade financeira.
Como parte das ações estruturantes da Rota do Cacau, uma comitiva de 27 técnicos de diversas instituições acreanas participará de uma capacitação intensiva em Belém, no Pará, entre os dias 2 e 14 de fevereiro de 2026. O treinamento é fruto de uma parceria estratégica com o Sebrae e envolverá especialistas da Seagri, Embrapa, Idaf, Funtac e da Universidade Federal do Acre (Ufac). O intercâmbio técnico visa qualificar os profissionais em sistemas de produção modernos e na classificação rigorosa de amêndoas, seguindo a referência do Pará, que é o maior produtor nacional. O foco da formação abrange desde as boas práticas de manejo e controle fitossanitário até as etapas de beneficiamento e comercialização, garantindo que o conhecimento técnico de ponta seja replicado diretamente nas propriedades rurais acreanas.
O titular da Seagri, José Luís Tchê, destaca que o investimento em conhecimento e infraestrutura reflete o compromisso da gestão estadual com alternativas concretas de emprego e renda que respeitem a floresta e os povos tradicionais. “Essa é mais uma ação que demonstra que o Acre acredita na cacauicultura como uma alternativa concreta de geração de renda, emprego e valorização do uso eficiente da terra, sempre respeitando a floresta e as pessoas que vivem dela”, afirmou o gestor. A presença de lideranças como Lázaro Manchineri, da Terra Indígena Mamoadate, na comitiva de intercâmbio, reforça a inclusão dos saberes ancestrais no processo de desenvolvimento tecnológico. A meta é que o manejo do cacau nativo em territórios indígenas receba o mesmo rigor técnico aplicado às áreas de cultivo comercial.
A trajetória de crescimento do setor foi impulsionada por uma série de marcos ao longo de 2024, como o debate “Por que plantar cacau?” e a ampla difusão de conhecimento técnico durante a Expoacre. O governo também lançou chamadas públicas para a aquisição de mudas e instituiu o Grupo de Trabalho da Cadeia Produtiva do Cacau, órgão responsável por planejar e monitorar a eficácia das políticas públicas no setor. Essas medidas resultaram em uma ampliação significativa das áreas plantadas e no aumento da produtividade média no estado. A integração entre instituições de pesquisa, fiscalização e fomento busca criar um ambiente de negócios seguro para o produtor, elevando o protagonismo do Acre no mercado de amêndoas sustentáveis e de alta qualidade.
O desdobramento esperado após o período de capacitação no Pará é a implementação de novas unidades demonstrativas e a melhoria nos processos de fermentação e secagem das amêndoas produzidas no Acre. Com técnicos mais qualificados, o estado terá maior autonomia para certificar a qualidade do seu produto, permitindo que os agricultores alcancem mercados mais exigentes e com melhores preços. A determinação governamental mira a criação de uma economia sólida que beneficie milhares de famílias rurais, reduzindo a pressão sobre o desmatamento ao oferecer uma alternativa agrícola rentável sob a sombra da mata. O avanço do Rota do Cacau sinaliza que o futuro econômico do interior do estado está diretamente ligado à inteligência aplicada aos recursos da biodiversidade regional.
A consolidação da cacauicultura no Acre representa um modelo de desenvolvimento em harmonia com os desafios climáticos e sociais da atualidade. Ao investir na qualificação técnica e na valorização do pequeno produtor, o Estado não apenas fomenta o PIB rural, mas também protege seu maior ativo: a floresta amazônica. A relevância desse projeto para o leitor reside na compreensão de que a preservação ambiental pode ser lucrativa quando apoiada por políticas públicas eficientes e suporte institucional contínuo. Ao final de fevereiro, com o retorno dos técnicos capacitados, inicia-se uma nova fase na produção acreana, marcada pela precisão técnica e pelo fortalecimento da identidade de um cacau que carrega o valor da conservação e da justiça social em sua origem.
por redação noticiaamazonica



