Corredor Boa Vista-Georgetown pode cortar tempo de escoamento da soja em 64%

Nova rota terrestre reduz percurso de 14 para 5 dias até o Canal do Panamá, com 700 km de estrada contra mais de 4 mil km da rota atual.

A soja produzida em Roraima pode chegar ao Canal do Panamá em cinco dias, contra 14 dias da rota tradicional que passa por Manaus, caso seja viabilizado o corredor logístico Boa Vista-Georgetown. A economia de tempo resulta de um percurso terrestre de aproximadamente 700 quilômetros até o porto de Georgetown, na Guiana, ante os mais de 4 mil quilômetros da trajetória atual que combina asfalto, rio e mar. Além de reduzir o capital imobilizado e aumentar a previsibilidade para os produtores, a rota de mão dupla também barateia a importação de insumos essenciais, como fertilizantes e calcário.

O corredor começa na rodovia BR-401, que liga Boa Vista a Bonfim, na fronteira com a Guiana. A partir dali a Ponte sobre o Rio Tacutu, inaugurada em 2009 e construída com investimento de US$ 5 milhões integralmente arcado pelo Brasil, conecta a malha rodoviária guianense por Lethem e o corredor Linden–Georgetown. O trecho da BR-401, que já estava em fase de pavimentação com apoio do Exército Brasileiro em 2007, é a espinha dorsal do projeto no lado brasileiro.

Para a viabilização plena do projeto, o Brasil precisa avançar em três frentes: concluir a pavimentação de trechos e pontes no lado guianense; ampliar a capacidade de armazenagem de grãos em Roraima; e estruturar uma governança aduaneira eficiente para o fluxo de cargas. A dependência de relações diplomáticas estáveis com a Guiana, e a instabilidade da rota alternativa via Venezuela, confere à iniciativa um caráter geopolítico estratégico para o país.

A Guiana, por sua vez, se consolida como um mercado consumidor dinâmico. Até a descoberta de reservas de petróleo em 2015, o país figurava entre os mais pobres da América do Sul. Hoje, apresenta um PIB per capita de cerca de US$ 30 mil, praticamente três vezes superior ao brasileiro, o que amplia o potencial de exportação para outros segmentos da indústria nacional.

Por Redação NotíciaAmazônica

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