Marinha intensifica plano contra seca e monitora trechos críticos em rios da Amazônia

Ações preventivas envolvem três navios hidrográficos para atualizar mapas de navegação antes da estiagem no segundo semestre de 2026.

A Marinha do Brasil intensificou a execução do Plano de Ação para enfrentar a estiagem na Amazônia Ocidental, com foco nos estados do Amazonas e de Rondônia. A medida atende a alertas de instituições de estudos climatológicos, que apontam alta probabilidade de uma seca severa na região no segundo semestre de 2026. O plano mobiliza órgãos federais, estaduais e municipais, além do setor produtivo, para tentar mitigar os impactos sociais e econômicos do isolamento hidroviário em uma região dependente dos rios para o abastecimento básico e o escoamento de mercadorias.

A principal frente de atuação do Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN) se concentra em levantamentos hidrográficos preventivos. Três embarcações subordinadas ao Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9) — um navio e dois Avisos Hidroceanográficos Fluviais — realizam medições batimétricas ao longo do ano para atualizar as cartas de navegação e identificar bancos de areia que se formam com a descida das águas.

Os trabalhos priorizam trechos considerados gargalos para navios de grande porte, responsáveis pelo abastecimento da Zona Franca de Manaus e pelo comércio exterior. No Rio Amazonas, o monitoramento está concentrado na Passagem do Tabocal e na Enseada do Madeira. No Rio Solimões, a atenção se volta para as Ilhas Trocari e Jussara, além de pontos mapeados no Rio Madeira, que costuma registrar quedas acentuadas em seus níveis de vazão.

Segundo o Diretor do CHN-9, Capitão de Fragata Fábio Luis Moreira Jacobucci Bambace, a antecipação dos dados é essencial para a logística regional. “A Marinha do Brasil envidará esforços para garantir a Segurança da Navegação nos rios da Amazônia Ocidental, a fim de permitir a continuidade do abastecimento da região Norte e do escoamento da produção pelos portos do Arco Norte”, explicou.

A recorrência de eventos climáticos extremos na Amazônia tem desafiado a infraestrutura local, transformando crises ambientais em problemas de subsistência e travamento econômico. A paralisação do fluxo hidroviário encarece o frete, desabastece o comércio e isola comunidades ribeirinhas que dependem exclusivamente do transporte fluvial para acessar serviços básicos de saúde e alimentação.

Para alinhar as demandas logísticas e de consumo, o Comando Naval realizou uma reunião em Manaus, no dia 18 de maio, com a participação de agências reguladoras, como a Antaq, operadores portuários, indústrias e pesquisadores do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O objetivo do encontro foi mapear as necessidades do setor privado e das comunidades antes do agravamento da estiagem.

“O Plano de Ação reúne iniciativas coordenadas entre diversos atores envolvidos na atividade fluvial amazônica, permitindo maior capacidade de resposta diante dos desafios impostos pela seca”, afirmou o Vice-Almirante André Luiz de Andrade Felix, Comandante do 9º Distrito Naval.

Embora o plano busque garantir a trafegabilidade, a eficácia das medidas depende diretamente da severidade do fenômeno climático. Em crises anteriores, o calado dos rios reduziu-se a níveis que impediram a passagem de embarcações mesmo após levantamentos técnicos, exigindo operações de dragagem e transporte emergencial de insumos.

Caso o cenário de isolamento de municípios se repita, o planejamento prevê o emprego de pessoal e meios navais para missões de caráter humanitário. Em estiagens passadas, a atuação militar concentrou-se no transporte de água potável, cestas básicas e suprimentos de saúde para as populações isoladas. O Comando do 9º Distrito Naval informou que o volume de recursos e o efetivo aplicados no plano poderão ser expandidos nos próximos meses, a depender da velocidade de vazante dos rios da Bacia Amazônica.

Por Redação NotíciaAmazônica

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