Aeroporto de Tarauacá pode ser repassado para concessionária de Campinas após vistoria

Projeto prevê investimento privado de R$ 40 milhões no interior do Acre se leilão federal terminar sem interessados.

Técnicos da concessionária do Aeroporto Internacional de Viracopos, de Campinas (SP), realizaram uma vistoria no aeródromo de Tarauacá, no interior do Acre, no sábado (23). A inspeção faz parte dos estudos para incluir o terminal no Programa de Investimentos Privados em Aeroportos Regionais (AmpliAR), do Ministério de Portos e Aeroportos. O projeto busca transferir a gestão de pistas isoladas da Amazônia para a iniciativa privada, estabelecendo que a administradora paulista assumirá o local caso o leilão previsto para os próximos meses não atraia outros compradores.

A infraestrutura de transporte no interior do Acre é marcada pelo isolamento terrestre. Municípios como Tarauacá dependem criticamente das conexões aéreas para o transporte de passageiros, emergências médicas e abastecimento de itens básicos que não chegam por rodovias precárias ou rios sazonais. O programa federal tenta usar o interesse comercial de grandes operadores do Sudeste para subsidiar e modernizar pistas deficitárias no Norte do país.

A estimativa do governo federal é de que os leilões do programa movimentem mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados, atendendo até 100 aeroportos regionais pelo país. Desse montante, a previsão é destinar cerca de R$ 40 milhões exclusivamente para a reforma e ampliação da pista e do terminal de Tarauacá, adequando o espaço para receber voos regulares e de maior porte.

A estratégia de repassar serviços essenciais de logística para grupos privados gera debates sobre a garantia de acesso para as populações de baixa renda do interior. Embora o investimento de R$ 40 milhões prometa modernizar a pista, o modelo de concessão costuma resultar em taxas aeroportuárias mais altas, o que pode encarecer as passagens aéreas em uma região onde o avião não é um artigo de luxo, mas o único meio de deslocamento rápido.

O Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) tenta estender o modelo para outras localidades em situação de isolamento extremo. O órgão estadual negocia com o Ministério de Portos e Aeroportos para incluir também os aeródromos de Marechal Thaumaturgo, Jordão e Santa Rosa do Purus no pacote de concessões federais.

“Estamos acompanhando de perto essa proposta porque reconhecemos a importância do aeroporto de Tarauacá para a população da região. Melhorar essa estrutura significa ampliar a segurança, o acesso e as oportunidades”, afirmou a governadora Mailza Assis.

O processo de privatização do terminal acreano entrará em fase de avaliação jurídica nos próximos meses. O governo federal confirmou que os critérios técnicos para a transferência de controle do aeródromo serão apresentados para análise da sociedade civil antes da abertura do certame no mercado financeiro.

O Ministério de Portos e Aeroportos planeja lançar o edital de concessão e abrir a consulta pública para o terminal de Tarauacá em julho. A liberação dos investimentos de R$ 40 milhões ficará condicionada à assinatura do contrato com a empresa vencedora ou à oficialização da transferência direta do aeródromo para a operadora de Viracopos, definindo o cronograma de obras na pista para o próximo período de estiagem na região.

Por Redação NotíciaAmazônica

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