Ação integrada entre polícias estaduais, federais e internacionais eleva em 87% o volume de entorpecentes interceptados no Amazonas.
As forças de segurança do Amazonas apreenderam aproximadamente 2,5 toneladas de entorpecentes, armamento pesado e munições durante uma interceptação no Rio Solimões, nas proximidades do município de Coari. A ação conjunta, realizada na calha do rio, envolveu agências policiais estaduais, nacionais e internacionais no combate às rotas transnacionais do narcotráfico que cruzam o território amazônico. Com o resultado da operação, divulgada na sexta-feira (22), o volume acumulado de drogas apreendidas no estado entre janeiro e maio de 2026 subiu para 27,4 toneladas, um crescimento expressivo diante das 14,7 toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.
A interceptação da carga ilícita ocorreu após um planejamento que mobilizou os setores de inteligência e estratégia por meses. O monitoramento identificou o deslocamento de uma embarcação de alta velocidade utilizada por organizações criminosas para o escoamento de drogas produzidas em países vizinhos. A calha do Rio Solimões funciona historicamente como um corredor de escoamento logístico do crime organizado devido à vasta extensão territorial e às dificuldades naturais de fiscalização fixa nas fronteiras da Amazônia Ocidental.
Durante a aproximação na calha do rio, as equipes policiais da COE tentaram interceptar o grupo, dando início a uma troca de tiros. Os suspeitos abandonaram o carregamento e conseguiram fugir adentrando as áreas de mata fechada e trechos do rio nas proximidades de Coari, ativando buscas na região.
O balanço material da operação evidencia o alto nível de capitalização e a capacidade de enfrentamento das redes ligadas ao tráfico de drogas na região. No interior da lancha capturada, os agentes contabilizaram, além das 2,5 toneladas de entorpecentes — com indícios de se tratar de maconha do tipo skunk —, três fuzis calibre .556, 21 carregadores e cerca de 1.100 munições do mesmo calibre. Também foram localizados quatro carregadores e 280 munições de calibre 7.62, utilizadas em fuzis AK-47.
A estrutura de transporte utilizada pelos suspeitos foi adaptada para burlar a repressão estatal nos rios. Trata-se de uma lancha de aproximadamente 10 metros de comprimento, equipada com três motores de popa com potência de 250HP cada um, o que garante rápida fuga. Para dificultar a aproximação e a identificação visual por barcos de fiscalização regulamentar, os criminosos instalaram uma blindagem artesanal na estrutura e luzes intermitentes na proa da embarcação.
O reforço das apreensões atende a uma demanda por maior presença do poder público no interior do Amazonas, onde o domínio de rotas fluviais por facções armadas vulnerabiliza comunidades ribeirinhas e pequenos produtores. A fragilidade socioeconômica dessas populações frequentemente as expõe à violência decorrente das disputas territoriais do tráfico de drogas.
O chefe do Estado-Maior da Polícia Militar do Amazonas, coronel Bruno Azevedo, pontuou que o resultado da ação decorre do cruzamento de dados analíticos fornecidos por órgãos internacionais e processados pela FICCO. Já o delegado da Polícia Federal e supervisor da força integrada no estado, Victor Motta, ressaltou o papel do monitoramento continuado de alvos: “O que acontece é uma intensa troca de inteligência, com investigação profunda e acompanhamento de alvos. No momento da abordagem, contamos com uma polícia extremamente preparada, que é a Companhia de Operações Especiais, equipada e treinada para realizar esse tipo de ação”, destacou o delegado federal.
A operação integra as diretrizes dos programas nacionais Operação Segurança Presente e Brasil Contra o Crime Organizado. Recentemente, a gestão estadual iniciou a segunda fase da Operação Segurança Presente, expandindo o contingente para os 61 municípios do interior do Amazonas com o envio de mais de 420 agentes, armamentos, viaturas e tecnologias de monitoramento para tentar conter as redes criminosas transnacionais.
O material entorpecente e as armas apreendidas foram formalmente recebidos na sede da Polícia Federal no Amazonas, onde passarão por perícia técnica para identificar a pureza da droga e a origem do armamento pesado por meio do rastreamento dos números de série dos fuzis. Os três motores de popa e a lancha blindada artesanal ficarão sob custódia da corporação. Paralelamente, agentes da Core/PC-AM e da Polícia Civil de Coari mantêm as buscas na região de mata para tentar localizar e identificar os suspeitos que fugiram durante o confronto na calha do Rio Solimões.
Por Redação NotíciaAmazônica



