Negociação envolve usinas isoladas do Consórcio Geração Amazonas e aguarda aprovação do Cade para formalizar transação.
A multinacional britânica Aggreko firmou um acordo para adquirir seis usinas termelétricas localizadas no Amazonas que pertenciam ao Grupo BBF. As unidades operam nos municípios e localidades de Belém dos Solimões, Envira, Estirão do Equador, Feijoal, Ipixuna e Palmeiras do Javari, integrando o Consórcio Geração Amazonas (CGA). Os ativos são essenciais para o abastecimento elétrico de regiões isoladas do estado que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O fechamento do negócio ocorre em meio à crise financeira da vendedora e aguarda o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A alienação das usinas amazonenses reflete o processo de reestruturação do Grupo BBF, que enfrenta uma recuperação judicial complexa com um passivo acumulado superior a R$ 1,2 bilhão. Essa pressão financeira sobre a companhia já havia motivado o desinvestimento recente de suas operações em comunidades isoladas no estado do Acre, adquiridas pela gestora Geribá.
A transferência do Consórcio Geração Amazonas para a britânica Aggreko, cujo valor comercial da transação não foi revelado pelas partes, transfere para uma corporação global a gestão de pontos sensíveis da infraestrutura energética da Amazônia Ocidental. Essas térmicas dependem de uma cadeia logística complexa, baseada no transporte de combustíveis por vias fluviais que sofrem com os regimes de cheias e secas dos rios regionais.
A dependência de sistemas isolados de geração térmica movidos a combustíveis fósseis representa um duplo gargalo para as populações do interior do Amazonas. Sob a perspectiva socioeconômica, o fornecimento contínuo de energia é um serviço público indispensável para o funcionamento de hospitais, escolas e para a conservação de alimentos em áreas periféricas e comunidades tradicionais.
Por outro lado, a centralização desses ativos nas mãos de grandes grupos transnacionais expõe as contradições da transição energética em uma região rica em biodiversidade, mas historicamente dependente de subsídios federais e que arca com os impactos da poluição local. A troca de controle operacional pode trazer eficiência técnica às usinas, mas mantém a população local vulnerável a decisões corporativas distantes da realidade amazônica.
A efetivação da transferência das seis usinas termelétricas permanece condicionada à análise técnica e homologação por parte do Cade, órgão regulador que avaliará as condições de concorrência no mercado regional de energia. Até que o parecer definitivo seja emitido, a operação técnica das plantas segue sob a responsabilidade atual. O Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverão acompanhar o processo para garantir que as metas de suprimento e as vistorias operacionais nas localidades de fronteira, como Palmeiras do Javari e Estirão do Equador, não sofram descontinuidade.
A compra das usinas pelo Grupo Aggreko redesenha o mapa da geração de energia na Amazônia e evidencia o esvaziamento das operações de infraestrutura do Grupo BBF em decorrência de suas dívidas bilionárias. O futuro do abastecimento elétrico para milhares de cidadãos amazonenses nas áreas contempladas agora depende tanto do crivo regulatório antitruste em Brasília quanto da capacidade de investimento da multinacional britânica na manutenção preventiva dessas unidades isoladas.
Por Redação NotíciaAmazônica



