Semulher reforça rede de proteção na zona rural e amplia acesso a orientações, saúde e direitos na comunidade Pentecoste.
A cena que abriu a manhã na Escola Braulino, na comunidade Pentecoste, foi simples — e reveladora: mulheres da zona rural de Mâncio Lima formando fila para um conjunto de serviços que, na prática, ainda não chegam com a regularidade necessária ao interior. A edição itinerante organizada pela Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) na quarta-feira (3) integrou os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres e levou informação, atendimento e acolhimento a quem mais depende da rede pública.
A ação, realizada em parceria com a Prefeitura de Mâncio Lima e o setor municipal de Políticas Públicas para Mulheres, foi pensada para reduzir distâncias — não apenas geográficas, mas também institucionais. No pacote de serviços ofertados estavam orientações psicológicas, sociais e jurídicas, consultas médicas, testes rápidos, vacinação, atendimento odontológico e a atualização do CadÚnico. O encontro também incluiu o diálogo “O Silêncio Mata”, que explicou às participantes como funciona a rede de atendimento e quais são os direitos das mulheres em situação de violência.
Para Angélica Costa, psicóloga e técnica da Semulher, o efeito mais imediato é o da escuta qualificada. “Elas precisam ser ouvidas. Nossa vinda incentiva que elas reconheçam e relatem aquilo que vivem, um passo para finalizar os ciclos de violência”, afirmou. O relato reforça um dado conhecido por quem trabalha no enfrentamento à violência de gênero: o isolamento das áreas rurais torna ainda mais difícil romper o silêncio.
A avaliação é compartilhada pela coordenadora municipal de Políticas para Mulheres, Marilene Pereira, que defende que a campanha dos 21 Dias de Ativismo tem papel central na mobilização das comunidades. “Esta ação é muito importante, não só aqui, mas em todas as comunidades. Muitas vezes a violência acontece por falta de informação e de conhecimento da rede. Estamos apresentando os serviços de proteção e orientando as mulheres sobre seus direitos, para que elas tenham condições de sair de situações de vulnerabilidade”, explicou.
A participação das moradoras também revelou o impacto imediato da iniciativa. Raimunda Lopes, moradora da comunidade, disse que o encontro ajudou a compreender melhor os tipos de violência e os caminhos para pedir ajuda. “Essa roda de conversa é muito boa para as mulheres. Muitas não sabem seus direitos. Foi muito bom para despertar, para saber quais são nossos direitos e o que podemos denunciar se for preciso”, destacou.
Com atendimento itinerante, escuta ativa e informação direta, a Semulher reforça a rede de proteção no município e amplia o alcance das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres — especialmente onde esse acesso ainda é mais frágil.
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