Tráfico de drogas tem feito da floresta amazônica escritório central de facção

CV e guerrilhas se unem por rotas de drogas e lavam dinheiro na tríplice fronteira.

A floresta amazônica, com sua imensidão e complexidade, se transformou no novo epicentro de uma intrincada teia do tráfico internacional de drogas. O cenário é alarmante: um relatório confidencial da Polícia Nacional da Colômbia, obtido pelo UOL e compartilhado com a Polícia Federal, revela uma aliança estratégica e perigosa. Guerrilhas colombianas e comunidades ribeirinhas, cooptadas pelo crime, agora operam em consórcio com o Comando Vermelho (CV) para dominar a logística de transporte de cocaína e maconha na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

A investigação aponta que a facção carioca não apenas controla o fluxo de entorpecentes, mas também coordena acordos a partir da cidade colombiana de Letícia, que faz divisa com Tabatinga (AM). O alcance da organização é tão profundo que ela se consolidou como “Comando Vermelho do Amazonas” a partir de 2017, rompendo antigas alianças e centralizando o poder na região. Lideranças do CV em Manaus, o principal entreposto de cocaína e maconha da Amazônia, são obrigadas a se reportar aos chefes no Rio de Janeiro, evidenciando o controle rígido e hierárquico da facção.

Além de dominar as rotas fluviais e aéreas, que abastecem Manaus a partir de cidades como Tabatinga, os guerrilheiros e traficantes operam uma sofisticada estrutura de lavagem de dinheiro. Peixarias, casas de câmbio, bares e até mesmo bancos estrangeiros são utilizados para dar uma fachada de legalidade aos lucros do tráfico. Essa rede complexa não se limita ao transporte, pois os criminosos também são responsáveis por pagar propinas a autoridades, garantir a segurança das cargas e subcontratar mão de obra para cuidar de plantações e laboratórios em Loreto, no Peru. O ex-comandante das Farc, Manuel Bolívar, confirmou o antigo método de financiamento guerrilheiro, que cobrava uma taxa de até 5% sobre as remessas, uma prática que agora se volta para o CV como seu principal “cliente”.

O relatório policial expõe um cenário onde a Amazônia se torna refém de uma rede criminosa que explora a vastidão da floresta para expandir seu poder. A união entre guerrilhas e facções como o Comando Vermelho consolida uma nova fronteira do crime organizado, exigindo uma resposta coordenada e urgente das autoridades dos três países. A complexidade do tráfico na Amazônia demonstra que a questão não é apenas de segurança pública, mas de soberania, desenvolvimento e proteção de um ecossistema vital, ameaçado pela ganância e pela violência.

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