Roraima: Comunidade indígena do Mutamba cobra nova escola após temporal destruir unidade em Amajari

Quatro meses após desabamento, alunos seguem estudando em barracão improvisado na região do Amajari.

A destruição da escola da Comunidade Mutamba, na região do Amajari, em Roraima, continua produzindo efeitos sobre a rotina de estudantes e famílias indígenas quatro meses após um forte temporal provocar o desabamento da estrutura, em março de 2026. Durante reunião realizada em 15 de junho, representantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR) ouviram moradores que denunciaram a falta de respostas efetivas do poder público para a reconstrução da unidade e para outras demandas essenciais da comunidade, como a implantação de um posto de saúde adequado.

O encontro reuniu o vice-tuxaua geral do CIR, Paulo Ricardo, a advogada Fernanda Félix, do Departamento Jurídico da entidade, e a coordenadora do Departamento da Juventude, Raquel Wapichana. A visita teve como objetivo prestar informações à comunidade e acompanhar a situação enfrentada pelos moradores desde o desastre climático ocorrido durante o período letivo.

O impacto da destruição da escola ultrapassou os prejuízos materiais. Segundo relatos da comunidade, crianças que estavam no local no momento do desabamento desenvolveram crises de pânico e sofreram abalos emocionais decorrentes do episódio. A situação expõe um desafio recorrente em áreas indígenas: a vulnerabilidade da infraestrutura pública diante de eventos climáticos extremos e a demora na resposta institucional para garantir a retomada adequada dos serviços essenciais.

Enquanto aguardam providências, os estudantes seguem frequentando aulas em condições provisórias. As atividades educacionais são realizadas em um barracão de palha adaptado pelos próprios moradores, alternativa encontrada para evitar a interrupção completa do calendário escolar.

Durante a reunião, lideranças comunitárias também manifestaram preocupação com a precariedade da estrutura de saúde local. Segundo os moradores, tanto a escola quanto os espaços destinados ao atendimento básico foram construídos com esforço da própria comunidade, evidenciando a insuficiência de investimentos públicos em uma região que depende diretamente desses serviços para assegurar direitos fundamentais.

A situação da Comunidade Mutamba revela um contraste frequente nas políticas voltadas aos povos indígenas: embora educação e saúde sejam direitos garantidos constitucionalmente, o acesso efetivo a esses serviços ainda enfrenta obstáculos relacionados à infraestrutura, logística e presença do Estado em territórios mais afastados dos centros urbanos.

O Conselho Indígena de Roraima reforçou durante o encontro a necessidade de que as reivindicações da comunidade sejam atendidas pelos órgãos competentes. Entre as prioridades apontadas estão a construção de uma nova escola em condições adequadas de segurança e a implantação de um posto de saúde capaz de atender às necessidades da população local.

Por Redação NotíciaAmazônica

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