Preço do açaí acumula alta superior a 50% no primeiro quadrimestre em Belém

Dados divulgados pelo Dieese/PA indicam reajuste pelo quarto mês consecutivo, com o litro ultrapassando R$ 80 em alguns estabelecimentos.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) divulgou nesta sexta-feira (15) que o preço do açaí subiu pelo quarto mês consecutivo em Belém, acumulando alta de 51,70% entre janeiro e abril de 2026. A pesquisa, que abrange feiras livres, supermercados e pontos tradicionais de comercialização da capital paraense, aponta que o valor do litro do tipo médio saltou de R$ 28,82 para R$ 43,72 no primeiro quadrimestre. O encarecimento sistemático de um alimento que compõe a base da segurança alimentar local impacta diretamente o orçamento das famílias de menor renda.

O comportamento inflacionário do fruto consolida uma tendência que pressiona o custo de vida na Região Metropolitana de Belém. De acordo com o levantamento histórico do Dieese/PA, o reajuste verificado apenas na passagem de março para abril deste ano foi de 5,86%. Quando analisada a trajetória de longo prazo, correspondente aos últimos 12 meses, a elevação acumulada no preço final ao consumidor atinge o patamar de 23,15%.

As oscilações e discrepâncias nos repasses aos consumidores variam de forma acentuada a depender tanto da espessura do produto final comercializado — classificado entre açaí médio ou grosso — quanto do perfil socioeconômico do bairro onde o ponto de venda está localizado.

Por se tratar de um componente central da identidade cultural e da dieta diária das populações tradicionais e das periferias urbanas do Pará, a escalada nos preços do açaí aprofunda a vulnerabilidade social e a insegurança nutricional na capital. A barreira econômica empurra o produto para um status de item de luxo, restrito a nichos de maior poder aquisitivo.

Nos bairros periféricos e pontos de venda específicos da capital, os registros do departamento revelaram que o preço do litro do açaí ultrapassou a marca histórica de R$ 80. Essa dinâmica impõe perdas ao poder de compra da classe trabalhadora, que se vê forçada a remanejar recursos de outras necessidades básicas para arcar com o custo inflacionado do alimento.

O cenário atual mobiliza o setor produtivo e os órgãos de fiscalização do estado a acompanharem as cadeias de suprimento para identificar possíveis gargalos na entressafra ou distorções nas margens de lucro dos intermediários. As próximas etapas consolidadas do acompanhamento do Dieese/PA preveem o monitoramento do fluxo de abastecimento vindo do interior do estado para avaliar se o teto histórico registrado nos primeiros quatro meses do ano sofrerá retração com a entrada de novas safras ou se a pressão inflacionária se manterá estrutural.

A escalada do preço do açaí em Belém fecha o balanço do primeiro quadrimestre do ano com marcas recordes e reajustes sucessivos que superam os índices inflacionários gerais. A dependência das flutuações de mercado e a ausência de mecanismos regulatórios eficazes para proteger o consumo interno mantêm o custo do produto em patamares elevados, desafiando o orçamento doméstico da população paraense neste início de período.

Por Redação NotíciaAmazônica

 

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