Cruzeiro do Sul decreta emergência após Rio Juruá ultrapassar cota e afetar 6,6 mil pessoas

Prefeito Zequinha Lima oficializa medida que permite dispensa de licitação para obras e mobiliza abrigos em quatro escolas municipais após cheia histórica.

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, assinou o Decreto nº 035/2026 nesta segunda-feira (26), declarando Situação de Emergência – nível II nas áreas atingidas pela cheia do Rio Juruá. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), ocorre após o manancial registrar elevações consecutivas, atingindo a marca de 11,89 metros nesta segunda-feira, superando a cota de alerta. O cenário de crise é motivado por chuvas intensas que provocaram alagamentos severos tanto em bairros urbanos quanto em comunidades ribeirinhas. A medida é considerada vital para agilizar o suporte governamental em uma região onde o isolamento geográfico e a força das águas comprometem a infraestrutura básica e a segurança alimentar.

A elevação do Rio Juruá acima da cota de transbordamento, fixada em 13 metros para transbordamento total mas já gerando danos na cota de alerta, afetou diretamente cerca de 1.650 famílias, totalizando aproximadamente 6.600 pessoas. Diante do avanço das águas, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul já disponibilizou quatro escolas municipais para servirem como abrigos temporários. A Defesa Civil Municipal monitora os bairros Várzea, Lagoa, Beira Rio, São Salvador, Saboeiro, Manoel Terças, Cobal, Remanso e Miritizal. A preocupação estende-se também à zona rural, onde comunidades como Olivença, Humaitá do Môa e Juruá-Mirim enfrentam dificuldades de acesso e risco iminente de perdas materiais e humanas.

O decreto assinado pelo executivo reconhece que a magnitude do desastre superou a capacidade financeira e operacional do poder público local para responder de forma isolada aos prejuízos. Com a Situação de Emergência, fica autorizada a mobilização imediata de todos os órgãos municipais, que atuarão sob a coordenação direta da Defesa Civil. O foco das ações está na resposta rápida para assistência às famílias, garantindo o funcionamento de serviços essenciais como saúde e segurança, que foram comprometidos pelo avanço das águas. Além disso, o documento permite a entrada em residências para prestação de socorro e a evacuação de áreas onde o risco de desabamento ou afogamento seja considerado crítico pelos técnicos.

Um dos pontos centrais da medida administrativa é a autorização para a dispensa de licitação em aquisições de bens, contratações de serviços e execução de obras de engenharia relacionadas ao desastre. Essa flexibilização jurídica visa dar agilidade à recuperação das áreas atingidas, estabelecendo que os contratos emergenciais devem ser concluídos em um prazo máximo de 180 dias, sem chance de prorrogação. O decreto possui validade de seis meses, período no qual a gestão municipal buscará recursos estaduais e federais para a reconstrução de vias e estruturas públicas danificadas. A medida tenta evitar que a burocracia estatal retarde o atendimento básico a quem perdeu o acesso à moradia ou ao transporte fluvial.

O cenário nos próximos dias depende estritamente da evolução climática e do comportamento das cabeceiras do Rio Juruá, que segue em monitoramento constante. A prefeitura reafirma que o suporte às comunidades ribeirinhas, espalhadas por toda a extensão do rio, é o maior desafio logístico devido à dispersão geográfica das famílias em áreas como Mujú, Tatajuba e Valparaíso. A expectativa é que, com o decreto em vigor, a chegada de suprimentos, água potável e assistência médica seja intensificada nos pontos de isolamento. A validade da emergência será reavaliada conforme o nível do rio recue, mas o plano de contingência permanece ativo para evitar que o colapso dos serviços públicos se agrave ainda mais.

por redação noticiaamazonica

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