Programa da Sesma completa quase duas décadas garantindo alimentação e acompanhamento essenciais para crianças com Alergia à Proteína do Leite de Vaca na capital paraense.
Nesta quinta-feira, 12 de junho, a Prefeitura de Belém celebra 19 anos de um programa vital e único na Região Norte: a iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) dedicada ao tratamento nutricional de crianças com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Este programa, centralizado na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Fátima, vai muito além da simples distribuição de fórmulas alimentares especiais. Ele oferece um acompanhamento clínico-nutricional completo, desde o acolhimento inicial até a alta da criança, garantindo um suporte essencial para o desenvolvimento saudável na primeira infância.
A equipe multiprofissional do programa, composta por nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticas e enfermeiras, assegura um cuidado integral. “O programa não é feito apenas para entregar lata de leite. Há uma escuta qualificada, triagem, atendimento com nutricionista, prontuário de acompanhamento e retorno regular. A gente conhece cada criança que passa pelo programa”, explica Liane Lopes, assistente social que acompanha a iniciativa desde sua implantação. Atualmente, 265 crianças com APLV e seis com outras alergias mais complexas são beneficiadas, com atendimentos abrangendo bebês de 0 a 2 anos de todos os distritos da capital.
A importância desse apoio é imensurável para as famílias. Samanta Froés, mãe do pequeno Theo, de sete meses, exemplifica o impacto: “O Theo usa cerca de 15 latas por mês. Se tivéssemos que comprar, seriam mais de R$ 4 mil todo mês, o que é impossível para a nossa realidade”. Essa realidade de alívio financeiro e segurança alimentar foi, contudo, ameaçada por um período de instabilidade no fornecimento das fórmulas entre 2023 e 2024. Felizmente, a atual gestão municipal regularizou o abastecimento a partir de fevereiro deste ano, após saldar dívidas e fortalecer a gestão do programa.
A nutricionista Antônia Nóbrega, que vivenciou o caos da escassez, relembra os desafios: “Começamos 2025 sem nada em estoque. Os últimos quatro meses do ano passado foi especialmente caótico”. Hoje, com o fornecimento estabilizado e um investimento 100% municipal, são distribuídas cerca de 1.800 latas mensais, cujo custo unitário de R$ 300 seria inviável para a maioria. O Programa APLV da Sesma continua sendo um modelo de cuidado integral e humanizado, onde a nutrição se torna uma ferramenta real de saúde pública, reafirmando o compromisso de Belém com a vida e o bem-estar de suas crianças.
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