Tiroteios e Medo: A luta dos Parakanã contra invasores armados em terra indígena protegida

Indígenas denunciam ataques recorrentes, destruição de pontes e ameaças de morte após desintrusão na TI Apyterewa.

Os Parakanã, habitantes da Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu (PA), enfrentam uma onda de violência sem precedentes. Em menos de três meses, três ataques a tiros foram registrados, com o último ocorrendo na madrugada do dia 19 deste mês na aldeia Tekatawa. Homens armados, identificados como invasores e fazendeiros, tentam retomar suas ocupações ilegais no território, promovendo terror entre os indígenas. Apesar da resistência local, os ataques deixaram a comunidade isolada após a destruição de pontes essenciais para o acesso à região.

Relatos das lideranças expõem uma situação alarmante de insegurança e negligência por parte das autoridades. Surara Parakanã, uma das vozes mais ativas da comunidade, alerta: “Estamos marcados para morrer. Eles querem acabar com as lideranças.” Desde dezembro de 2024, quando o primeiro ataque foi documentado com marcas de balas em casas e redes de dormir, a Força Nacional foi acionada, mas as medidas de proteção permanente ainda são insuficientes. Com as pontes destruídas, as patrulhas terrestres da Força Nacional foram interrompidas, intensificando o isolamento e a vulnerabilidade dos indígenas.

A tensão aumentou após a divulgação de um áudio ao Ministério Público Federal (MPF) detalhando os ataques recentes. O MPF encaminhou a denúncia à Polícia Federal, solicitando sua inclusão em um inquérito já em andamento. Contudo, a resposta oficial tem sido lenta, enquanto pistoleiros continuam promovendo novas ameaças. Para garantir sua segurança, os Parakanã retiraram mulheres, crianças e idosos das áreas mais vulneráveis, mas a ausência de uma solução definitiva agrava a crise. “Não é só largar a gente aqui dentro e não olhar”, desabafa Surara, cobrando maior agilidade das autoridades.

O caso reflete um problema estrutural que afeta diversas terras indígenas no Brasil: a falta de fiscalização contínua após operações de desintrusão. Enquanto isso, os Parakanã vivem sob constante ameaça, evitando até mesmo aparições públicas para não se tornarem alvos fáceis. Sem acesso seguro às cidades vizinhas para questões básicas como compras e benefícios sociais, a comunidade clama por justiça e proteção imediata. A lentidão na resposta governamental pode custar vidas, transformando uma terra protegida em um campo de batalha.

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